quarta-feira, dezembro 22, 2004

Felicidade plena é doença?

"Felicidade plena é doença?

Há algum tempo, tomei conhecimento do suicídio de um jovem de 25 anos, filho de poderoso empresário nacional. O rapaz teria deixado um bilhete com a explicação:
"- Enjoei de viver, nada me falta, tenho tudo, perdi o tesão de viver..."
As pessoas comentavam a inacreditável razão para o tresloucado gesto (expressão consagrada da crônica policial) e me interrogaram sobre isso. A gente ouve dizer acerca de desesperados que se matam por perderem algo ou alguém, por falta de emprego, ciúmes, depressão grave... mas, por tudo ter?
Gostava de brincar com meus filhos ao entrar no BH-Shopping, exclamando, do alto do 3° andar, bem no átrio daquele templo de consumo: "- Graças a Deus, não preciso de nada disso aí!". E remendava, diante do espanto: "- ... mas quero muitas coisas!". O alívio era imediato.
Somos seres do desejo, além de animais necessitados. Para além da satisfação do que chamarei de necessidades instintivas (alimento, abrigo, oxigênio, sono, etc.) o ser humano se constitui como tal por ser desejante. Não nos basta conseguir sobreviver, queremos mais e mais. É o que Freud chamou de pulsão, o correlato psíquico dos instintos.
A pulsão busca a satisfação por qualquer meio, custe o que custar, "o que quero é gozar", diria o puro impulsivo. Assim agem as pessoas impulsivas que, diante de um obstáculo ou mobilizados pela força pulsional, avançam sobre a presumida fonte de sua satisfação e se mostram agressivas e sem controle diante de qualquer frustração.
O desejo, porém, é um refinamento e o ser desejante diria: "- O que quero é gozar... de uma certa maneira!". É mais ou menos a diferença entre a fome e o apetite. O apetite nos propicia a escolha por determinado alimento, o requinte, a espera, o adiamento da satisfação. A pulsão sexual, por exemplo, poderia ser satisfeita por qualquer objeto sexual. Já o ser-desejante escolhe a parceria por razões puramente individuais e, sempre, inconscientes. Isso, irônicamente, explica tantas escolhas errôneas - ou incompreensíveis ao senso comum - de parceiro(a)s! Aqui aparece o que chamamos amor (!?).


O que causa o desejo é, portanto, algo que não se vislumbra objetivamente, ou seja, um objeto perdido, faltoso, A FALTA!
Ah, bom! assim é possível entender as razões do jovem suicida: se nada lhe falta (é lógico que se trata de uma percepção totalmente enganosa), então o desejo morre e o sujeito sucumbe: "Sem tesão não há solução", diria o terapeuta-escritor Roberto Freire.
O deus-Mercado tem-se esmerado em oferecer objetos para a satisfação dos consumidores, lançando novidades, gadgets, quinquilharias; a Ciência promete juventude eterna; a Indústria do Entretenimento derrama sexo-drogas-rock'n roll sobre corações e mentes e os bichinhos humanos correm como ratinhos de laboratório atrás das migalhas... alguns correm a vida inteira; mais alguns impulsivos buscam compulsivamente adquirir tudo e cada vez mais; outros,
enfim, se cansam de tanta oferta e caem no tédio - depressão, desinteresse por tudo, anorexia, auto-extermínio.
É necessário recuar diante de tanta oferta, buscando descobrir o próprio desejo - o que não é fácil, irmão. "

Artigo gentilmente escrito por Cláudio Costa - psiquiatra, psicanalista e blogueiro

Agradecimento

Queria desde já agradecer ao Jornal do Blogueiro por amavelmente nos indicar como destaque semanal. Além desta referência uma palavra de aprezo aos blogs Tou na lua, Lusofolia, Clube De Mulheres, Sem Qualquer Nexo,JornaBlogar, Crónicas de uma boa Malandra, Luz e Sombra, Kotações e o Blog Sem Senso Comum pelos seus links. A partir deste momento este blog terá também uma secção de links das quais constarão links com ligação recíproca assim como blogs que a equipa considere interessantes e se enquadrem na divulgação de informação que este blog tenta manter.
A todos os meus agradecimentos!

terça-feira, dezembro 14, 2004

Mito, a caneta dos americanos, e o lápis dos russos...

Uma vez recebi o seguinte email, que me suscitou alguma curiosidade, e decidi investigar.

A Diferença entre "Foco no Problema" e "Foco na Solução"

Quando a NASA iniciou o lançamento de astronautas, descobriram que as canetas não funcionariam com gravidade zero.
Para resolver este "enorme" problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture.
Empregaram uma década e 12 bilhões de dólares, conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d'água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de 0 ate mais de 300 Celsius...
...Os russos utilizaram um lápis.


Este texto não passa de uma lenda, pois tanto os russos como os americanos utilizavam o lápis nas suas viagens espaciais até terem criado canetas especiais para o uso em gravidade zero.

O valor apontado para o desenvolvimento da caneta, também é falso, quem desenvolveu a caneta foi uma empresa privada, que registou a sua patente (# 3.285.228 - Anti-Gravity Pen) e teve o custo à empresa de 12 milhões de dólares.

Depois de dois anos de testes na NASA, as novas canetas passaram a ser usadas pelos astronautas americanos a partir de outubro de 1968 na missão Apollo 7. Os russos também as adoptaram a partir dessa época.

Podeis perguntar: "Porque não continuaram a usar o lápis para escrever no espaço?"

Na Terra, se o bico do lápis se parte, a grafite é atraída para o chão, não causa qualquer transtorno, agora no espaço, não existe gravidade, logo a grafite ficava a flutuar, o que podia entrar para dentro dos ouvidos dos astronautas, ou para os olhos. E temos de ter em atenção que a grafite é um material que conduz corrente eléctrica, e só o facto de escrever-mos com um lápis, liberta pó de grafite enquanto se vai gastando, no espaço, a grafite pode introduzir-se nos circuitos eléctricos, e pronto, digamos que um curto-circuito no espaço não é muito agradável, nem muito fácil de resolver.

O texto contido na mensagem pretende ilustrar alguma técnica ou procedimento na busca de uma solução para problemas complexos. Os autores esqueceram, no entanto, de mencionar as variáveis mais importantes: o ambiente onde vai ser usado o instrumento em causa, quem o vai usar, que impactos pode ter e se compensam os benefícios da implementação da solução.

Fonte: "uma pesquisa rápida na net"

Curiosidade: Vidro, Sólido ou Líquido?

É do conhecimento geral das pessoas que o vidro é um material sólido, mas apercebemo-nos de que é um liquido de grande densidade.

O vidro definitivamente não é um sólido cristalino, pois não possui estrutura microscópica periodicamente organizada. É o que chamamos de sólido amorfo, ou seja, um líquido com viscosidade enorme, e quando digo enorme, é realmente enorme. Algumas pessoas afirmam que o vidro escorre, e que isto pode ser constatado nos vitrais das catedrais antigas. Entretanto, trabalhos científicos conceituados, apesar de não negarem que o vidro "escorre", já demonstraram que a idade das catedrais não é suficiente para que o vidro escorresse o suficiente para produzir as diferenças de grossura no topo e na base dos citados vitrais. Na realidade o vidro, com relação à forma, porta-se como um sólido, mas não o é apenas pela rigorosidade na definição de sólido cristalino.

Hoje o vidro é considerado líquido pois se deixarmos algo feito deste material num lugar sem ser "perturbado" durante muitos anos ele "escorre". Não é um fenómeno que possamos constatar porque não ocorre à escala humana.

Fonte - "Engenharia de Materiais"

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Procrastinação

A procrastinação (derivada do latim: procrastinatiõne) consiste no acto de adiar tarefas constantemente, assim como numa incorrecta ordenação de prioridades, colocando aquelas com menor índice de importância primeiro que outras munidas de maior importância para o indivíduo no momento, como a realização de um trabalho ou o estudo para uma frequência.
Aquilo que o senso comum apelida normalmente de preguiça pode-se tratar na realidade de procrastinação, dependendo do comportamento manifestado pelo indivíduo, comportamento esse que, em casos extremos, afecta auto-estima, desempenho escolar ou laboral, interacção social assim como saúde física e mental.
Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se não for sujeito a forças, a procrastinação é, essencialmente, inibidora do surgimento dessas mesmas forças levando o indivíduo a um estado de inércia, o que obviamente afecta a sua vida pessoal.

Como causas deste tipo de comportamento podemos encontrar correlações com:
  • Má gestão do tempo
  • Condições Fisicas
  • Condições Ambientais
  • Ansiedade em situações de avaliação
  • Ansiedade relativamente a expectativas sociais
  • Crenças e Comportamentos não adaptativos
  • Medo do Fracasso
  • Baixa Tolerância à Frustação
  • Etc..

Um dos exercícios que o procrastinador pode aplicar em si mesmo de modo a tentar combater este adiamento de tarefas é uma espécie de auto análise que consiste em escrever num papel as vantagens de adiar a tarefa, e posteriormente escrever as desvantagens. Após uma breve ponderação o sujeito é capaz de compreender o comportamento erróneo.

Mais tarefas são incitadas no procrastinador tais como: planeamento rígido de tarefas, estruturação específica e detalhada de objectivos, a quebra gradual da inércia, racionalidade durante o conflito interno que leva ao adiamento ou não da tarefa, fornecer auto reforços positivos quando se atinge um objectivo e o assimilar de métodos de controlo e gestão do tempo até que se tornem rotineiros.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

A Psiquiatria

France Presse:

Os antidepressivos foram postos no banco dos réus nos Estados Unidos. Autoridades médicas do país reconheceram que essas drogas estão relacionadas com um risco maior de suicídio entre os jovens, e especialistas fizeram advertências contundentes a médicos e pacientes.

"Acho que agora todos nós acreditamos que há um aumento das tendências suicidas com a ingestão destes antidepressivos", disse no início desta semana o doutor Robert Temple, representante da FDA (Food and Drug Administration), entidade encarregada do controle de remédios e alimentos nos Estados Unidos.

Temple resumiu as conclusões de uma comissão de 31 especialistas, que analisou testes clínicos com 4.000 jovens, feitos por fabricantes de cinco antidepressivos, inclusive Prozac e Zoloft.

Risco em dobro

Estes estudos mostram que jovens que tomam antidepressivos correm o dobro de riscos de ter pensamentos suicidas que outros que recebem placebo. Para o Prozac, o antidepressivo mais receitado para os jovens, este risco é 50% maior, segundo o estudo. Nenhum suicídio foi registrado neste grupo, segundo a FDA.

As conclusões dos testes clínicos foram consideradas suficientemente alarmantes pela comissão de especialistas para que a FDA imponha a advertência mais forte possível nas fichas de informação dos antidepressivos que os laboratórios fornecem aos médicos.

Segundo a comissão, estes laboratórios deveriam ainda fornecer informações aos pacientes, explicando em termos simples os riscos vinculados à ingestão destes medicamentos.

Recomendações

O FDA provavelmente adotará as recomendações do grupo de especialistas nas próximas semanas.

Embora centenas de medicamentos sejam acompanhados de uma etiqueta de advertência, a FDA não impõe advertências de riscos potenciais a mais de 30 remédios.

Em março passado, o órgão impôs a modificação das etiquetas de dez antidepressivos, nas quais mencionou a necessidade de um acompanhamento particular e de atenção a sinais de aumento da depressão em alguns pacientes, particularmente nos jovens.

A agência federal tomou esta decisão depois que um de seus especialistas concluiu, em fevereiro passado, a existência de risco de suicídio entre os jovens e adolescentes tratados com cinco antidepressivos estudados. Mas a FDA não o autorizou a apresentar seu informe, porque considerou suas conclusões prematuras demais.

Proibição

Embora os especialistas da FDA tivessem entrado em acordo para impor as advertências, nenhum exigiu a proibição destes medicamentos, como fizeram vários países europeus no final de 2003.

Além disso, os médicos consideraram desejável que o uso de antidepressivos entre jovens se reduza na medida que não só apresentam riscos, mas como sua eficácia é posta em xeque.

"Dispomos de indícios muito bons de seus efeitos nefastos e muito ruins sobre sua eficácia", explicou o médico Thomas Newman, professor de pediatria, citado pelo "The New York Times".

Segundo as últimas estatísticas disponíveis, médicos norte-americanos emitiram cerca de 11 milhões de receitas de antidepressivos a menores de 18 anos em 2002, ou seja, 8% do total das prescrições deste tipo de medicamentos nos Estados Unidos.

p.s.: A seguir podem sempre propor que que aquele outro medicamento é eficaz... e a seguir outro e outro, como quem vende algibeiras para esconder o medo.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Interactividade

O Blog Do Conhecimento, encontra-se disponível, como sempre se encontrou e sempre se encontrará, para receber textos da autoria dos seus leitores de modo a serem publicados neste espaço. Os artigos não serão submetidos a qualquer tipo de censura, no entanto só serão publicados se se enquadrarem no espírito incutido nesta equipa de troca de conhecimento, ou a disponibilização online de informação que leve os seus leitores a quererem saber mais sobre determinado assunto, já que nenhum de nós tem a pretensão de ensinar tudo sobre uma matéria mas sim incutir curiosidade e motivação para temas que nos dizem respeito a todos.
Esperando a vossa participação eu me despeço respeitosamente.

Os artigos devem ser enviados para het@netvisao.pt

sábado, dezembro 04, 2004

Flores Man

Ao contrário da fraude que foram os cadáveres gigantes encontrados na Arabia Saudita foi noticiado há pouco tempo uma descoberta que vem revolucionar alguns conceitos da evolução humana, assim como dar mais validez à teoria de Darwin sobre evolução e adaptação dos seres vivos, conforme o meio em que se encontram e todo o tipo de características do terreno (comida, fornecimento de água, espaço, etc), mas desta vez foi encontrada a aplicação dessa teoria em seres humanos.
Como noticiado pela Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas a nível mundial, foram descobertos na Indónesia 8 cadáveres de uma espécie humana completamente diferente que devido às suas características foram apelidados de "hobbits", já que possuem aproximadamente um metro de altura e um terço do tamanho craniano do homem actual, sendo datados de há cerca de 18 000 anos, o que indica terem coexistido com o homo sapiens.

Mais sobre esta descoberta fantástica que nos faz compreender aquilo que o ser humano é realmente: um ser vivo com as suas características específicas capaz de se adaptar ao ambiente que o circunda, assim como qualquer ser vivo que habite connosco este planeta, com a diferença de nós "termos a mania" que somos superiores graças a crenças antigas e ultrapassadas.

domingo, novembro 21, 2004

Mito do 10% a funcionamento cortical

"Mitos nos quais se acredita tendem a se tornar verdade." --- George Orwell (em The Collected Essays, Journalism, and Letters of George Orwell, vol. 3, edited by Sonia Orwell and Ian Angus, New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1968, page 6)

Aquilo que se propaga muito nesta sociedade, mesmo sem base científica alguma, passa a ser uma verdade absoluta. É o denominado senso comum.Um desses exemplos constata-se em várias pessoas ao afirmarem que o ser humano apenas usa 10% do seu poder cortical.Vou tentar escrever este post para elucidar esse equívoco.Primeiro que tudo há que explorar o início do mito. Este mito tem origem, provavelmente, numa interpretação errada de uma citação de Albert Einstein ou ainda de uma interpretação errada do trabalho de William James que escreveu em 1908 : "We are making use of only a small part of our possible mental and physical resources" (from The Energies of Men, p. 12), sabe-se que muitas pessoas desfocam as teorias à sua maneira.Agora vamos às provas fisiológicas da impossibilidade desta percentagem: para qualquer entendido em topografia cerebral é óbvia esta impossibilidade mas vou tentar explicar isto de uma maneira simples. O cérebro humano possui áreas específicas para tarefas específicas como a recepção de estímulos somato sensoriais, outra área para associar esses estímulos a dor,prazer ou seja associar estímulos a mapas sensoriais, e uma terceira área que integra essa informação com informações resultantes de outras áreas cerebrais tais como o córtex visual ou auditivo, permitindo assim integrar toda a informação recorrendo a imagens e sons.Pode-se comprovar que o cortéx auditivo se encontra no lobo temporal, o córtex visual no lobo occipital e o córtex somato sensorial a nivel do lobo parietal. Além destas áreas específicas existe o lobo frontal responsável pelo denominado pensamento e inteligência humana, sendo extremamente importante no pré planeamento e pré execução de tarefas. Existe também um número elevado de núcleos situados numa posição medial e no tronco cerebral que são, entre outras coisas, muito importantes no sono e em despertar desse sono, na coordenação dos movimentos, a denominada motricidade fina entre muitas funções importantes que permitem a homeostasia corporal e biológica de todos os índíviduos.10% de um cérebro significa que apenas 140 gramas do nosso encéfalo seria usado, já que a média do peso de um encéfalo humano é de 1400 gramas. Com essas 140 gramas seria de todo impossível albergar as funções referidas em cima, já para não falar de um sem número de funções e estruturas que o cérebro possui além destas mas não queria que este fosse um post com informação massiva e de algum modo elaborada.Com 140 gramas teriamos um encéfalo igual a de uma ovelha, e sinceramente, não vejo uma ovelha com as capacidades intelectuais caracterizadoras do ser humano. Se lhe disserem que o ser humano usa apenas 10% do cérebro responda-lhe com toda a certeza: Mentira, usamos 100% do cérebro, (muitas vezes das maneiras mais erradas e desperdiçando uma das maiores maravilhas da evolução)

Uma sugestão

Não tenham receio de usar o nosso fórum para colocar questões ou mesmo responder a outras, é uma das formas mais interactivas de participação e troca de conhecimentos e experiências, que pode ser feita tanto atrás de um nome não real como de um bem identificado. É só se registarem e escreverem aquilo que gostariam de saber ou aquilo que sabem, ou mesmo apenas para trocar umas palavras amigáveis (ou críticas construtivas) com os autores. Participem.

Fenomenal - "leadership"

The Qualities of Skillful Leadership
by Jim Rohn

If you want to be a leader who attracts quality people, the key is to become a person of quality
yourself. Leadership is the ability to attract someone to the gifts, skills, and opportunities you
offer as an owner, as a manger, as a parent. I call leadership the great challenge of life.
What's important in leadership is refining your skills. All great leaders keep working on
themselves until they become effective. Here are some specifics:

1) Learn to be strong but not rude. It is an extra step you must take to become a powerful,
capable leader with a wide range of reach. Some people mistake rudeness for strength. It's
not even a good substitute.

2) Learn to be kind but not weak. We must not mistake kindness for weakness. Kindness isn't
weak. Kindness is a certain type of strength. We must be kind enough to tell somebody the
truth. We must be kind enough and considerate enough to lay it on the line. We must be kind
enough to tell it like it is and not deal in delusion.

3) Learn to be bold but not a bully. It takes boldness to win the day. To build your influence,
you've got to walk in front of your group. You've got to be willing to take the first arrow,
tackle the first problem, discover the first sign of trouble.

4) You've got to learn to be humble, but not timid. You can't get to the high life by being
timid. Some people mistake timidity for humility. Humility is almost a Godlike word. A
sense of awe. A sense of wonder. An awareness of the human soul and spirit. An
understanding that there is something unique about the human drama versus the rest of life.
Humility is a grasp of the distance between us and the stars, yet having the feeling that we're
part of the stars. So humility is a virtue; but timidity is a disease. Timidity is an affliction. It
can be cured, but it is a problem.

5) Be proud but not arrogant. It takes pride to win the day. It takes pride to build your
ambition. It takes pride in community. It takes pride in cause, in accomplishment. But the
key to becoming a good leader is being proud without being arrogant. In fact I believe the
worst kind of arrogance is arrogance from ignorance. It's when you don't know that you don't
know.
Now that kind of arrogance is intolerable. If someone is smart and arrogant, we can
tolerate that. But if someone is ignorant and arrogant, that's just too much to take.

6) Develop humor without folly. That's important for a leader. In leadership, we learn that it's
okay to be witty, but not silly. It's okay to be fun, but not foolish.
Lastly, deal in realities. Deal in truth. Save yourself the agony. Just accept life like it is. Life
is unique. Some people call it tragic, but I'd like to think it's unique. The whole drama of life
is unique. It's fascinating. And I've found that the skills that work well for one leader may not
work at all for another. But the fundamental skills of leadership can be adapted to work well
for just about everyone: at work, in the community, and at home.


O amor pela Sabedoria

Ola companheiros de viagem

Sabendo de antemão que a ignorância é uma dor da qual todos tentamos fugir, a minha consciência obriga-me a ler procurarando um analgésico, analgésico esse que encontra na leitura.

Em concordância com esse objectivo surge este blog que tem um papel fundamental não só para eu aprender com os outros mas também para dar a conhecer determinados temas. Alguns temas esses surgem por uma desmesurada e incompreesnsivel curiosidade; outros por uma mera necessidade.

Assim deixo alguns temas que me têm suscitado algum interesse, em parte devido à necessidade...

Peço desculpa por alguns serem em inglês, mas penso que o conteúdo, por si só, é suficiente para perdoar a falha de não ser na nossa lírica lingua Portuguesa.

Sempre em busca do conhecimento
Essa longa viagem

Boato


«Boatos: o meio de comunicação mais velho do Mundo»

O boato é um fenómeno que se manifesta particularmente em situações de crise ou de falta de informação.
À partida, o processo de formação de um boato ocorre involuntariamente. O boato origina-se nas primeira trocas de comunicação entre indivíduos. A comunicação estabiliza-se na 6ª
transmissão. O boato não tem feedback. Nunca se consegue chegar junto da fonte que o originou. A fonte aparece com credibilidade mas não se consegue identificar quem é.
Ingredientes para a formação de um boato
• Deverá ser um assunto interessante para um número alargado
de pessoas (morte, paixão, doenças, catástrofes, figuras
públicas, etc.);
• Ambíguo, que possibilite diferentes interpretações.
Matérias que gerem ansiedade propagam-se com maior rapidez. Mecanismos psicológicos que ocorrem entre a informação que dá origem ao boato e ao boato propriamente dito
• Nivelamento;
• Estimulação;
• Assimilação.
Nivelamento
À medida que o boato circula vai comportando cada vez menos palavras até atingir uma forma estereotipada em que permaneça inalterado.
Estimulação
Consiste na selecção de um número limitado de pormenores, escolhidos devido ao seu carácter insólito, e consiste, ao mesmo tempo, no exagero desses mesmos pormenores e na sua adaptação ao presente.
Assimilação
Apoia-se nas paixões de quem escuta, ou seja, apresentam-se as coisas como as pessoas estão habituadas a vê-las. A assimilação é feita através da lógica de cada um, dos preconceitos e interesses.
Essência do rumor
A essência do rumor ou do boato, consiste numa persuasão que nasce da própria actividade de transformação da notícia original feita em função das representações sociais. Lei básica do boato de Allport A quantidade de rumor varia segundo a importância do assunto, multiplicada pela ambiguidade do tema.
Desmentido
Para desmentir um boato, deve-se tentar chegar o mais perto possível da origem de forma a aí actuar com mais força. Se algo originou o boato, então existe uma razão para tal.
Ralph Rosnow
«O boato é uma espécie de hipótese, uma especulação que ajuda as pessoas a darem sentido a uma realidade caótica ou que lhes faculte um ténue sentimento de controlo sobre o mundo
ameaçado.»
Kinnel
«Quanto mais as pessoas se assustam com um boato, mais o apregoam.»

PÚBLICO, MASSA E MULTIDÃO



"É uma grande desgraça não poder estar só"
LA BRYÈRE citado por EDGAR ALAN POE

Em 1840, o escritor norte-americano Edgar Alan Poe publicou um texto, depois
classificado pelos organizadores de suas obras completas como conto filosófico. "O Homem
das Multidões" é narrado por um homem que vai a Londres fazer um tratamento de saúde e se
diverte observando, do saguão do hotel, a multidão que passa na rua.
No começo, o narrador vê apenas uma massa indistinta. Em breve, porém, desce aos
detalhes e consegue ver padrões de roupas, comportamentos, jeitos de andar. Vários públicos
se descortinam à sua frente: escreventes, homens de negócio, advogados, homens de lazer...
À certa altura, um homem chama sua atenção. É um velho entre 60 e 70 anos. Sua
fisionomia apresenta um misto de triunfo, alegria, terror e desespero.
A impressão causada pelo personagem é tão forte, que o narrador passa a segui-lo. O
homem envereda pela rua repleta de gente e, chegando à praça, passa a andar em círculos,
confundindo-se com a multidão. Quando o fluxo diminui, o velho se sente angustiado e procura
outra multidão. A narrativa acompanha durante toda a noite sua busca por agrupamentos
humanos.
No final, o escritor o abandona com um comentário: "Esse velho é o tipo e o gênio do
crime profundo. Recusa estar só. É o homem das multidões. Seria vão segui-lo, pois nada
mais saberei dele, nem de seus atos. O pior coração do mundo é mais espesso do que o
Hortulus Animae e talvez seja uma das grandes misericórdias de Deus o fato de que ele
jamais se deixa ler".
Em "O Homem das Multidões", Edgar Alan Poe antecipou em muitos anos a discussão
sobre a sociedade de massa.
O século XIX viu aparecer um novo tipo de agrupamento humano. Antes a regra eram
pequenas vilas, nas quais todo mundo se conhecia e se relacionava. O processo de
industrialização forçou uma grande quantidade de pessoas a se deslocarem para grandes
centros nos quais as pessoas não se conheciam e não tinham qualquer relacionamento mais
íntimo.
A aglomeração maciça de seres humanos forçou o contato pessoal com pessoas
desconhecidas, muitas das quais permanecerão sempre desconhecidas. Não conhecemos o
homem que nos vende alimentos e a moça do correio é apenas mais uma funcionária postal.
O homem moderno está rodeado de gente, mas é solitário.
Essa nova realidade tornou patente um novo tipo de comportamento, que não era
individual, mas coletivo. Para explicá-los surgiu a psicologia das massas.
Dois pioneiros dessa nova disciplina foram o italiano Scipio Sieghele e o francês
Gustav Le Bom.
Sieghele escreve A Massa Criminosa, no qual analisa os crimes coletivos, como
revoltas e lichamentos, e conclui que não há como indicar culpados. Os que são incriminados
são sempre bodes-expiatórios, pois é sempre impossível determinar um culpado no meio da
multidão.
Sieghele trabalha o conceito de multidão como agrupamento geográfico e resultado de
uma sugestão, como se seus integrantes estivessem sonâmbulos, hipnotizados. Em toda
multidão há condutores e conduzidos, hipnotizadores e hipnotizados. O autor italiano foi um
dos primeiros a perceber a importância dos meios de comunicação de massa nesses novos
tipos de comportamento. Para ele, a imprensa seria uma manipuladora da massa.
Para Gustav Le Bon, a civilização estava em perigo com a emergência das massas.
Os líderes políticos do século XX seriam aqueles capazes de manipular as mesmas através da
mídia (uma profecia acertada, se lembrarmos de Hitler, Mussolini e Getúlio Vargas).
O pensador Gabriel Tarde discordou desse ponto de vista, argumentando que a massa
é geográfica e o publico é formado socialmente. Para ele, a imprensa estava criando públicos,
ao permitir que pessoas distanciadas geograficamente pudessem partilhar idéias.
Os pensadores contemporâneos perceberam a dificuldade em se trabalhar com os
conceitos de multidão e massa de maneira conjunta e resolveram separá-los. Assim, há três
tipos de comportamentos coletivos.
O primeiro deles, e o mais primário, é a multidão. Sua origem é biológica e remonta aos
tempos em que o homem passou a viver em sociedade.
Na multidão, os integrantes são comandados pela ação de ferormônios, hormônios
expelidos pelo corpo, que fazem efeito ao serem percebidos olfativamente.
Todos que estiverem no campo de ação dos ferormônios são contagiados e passam a
agir como uma só pessoa, de forma irracional. É o caso de linchamentos, revoltas e tumultos
em locais repletos de gente. É comum, por exemplo, que em casos de incêndio em casas de
shows morram mais pessoas pisoteadas do que em decorrência do fogo.
A criação de uma multidão passa por quatro estágios.
No primeiro deles, há um acontecimento emocionante (a informação de que um
estuprador foi preso, um trem de subúrbio que deixa de funcionar justamente na hora em que
os trabalhadores voltam para casa).
No segundo, há uma "moedura": os indivíduos se encontram, se chocam, começam a
trocar ferormônios.
No terceiro, surge uma imagem, uma idéia de ação, a exaltação coletiva é direcionada
para um objetivo (lichar o criminoso, quebrar o trem).
Finalmente, no quarto estágio, a multidão, já totalmente dominada pelos ferormônios,
age.
Uma multidão é como um estouro de boiada: é impossível pará-la com a força ou com
a razão. Atirar adianta muito pouco, pois os que estão atrás empurram os que estão na frente,
até chegar aos seus atacantes.
Segundo Flávio Calazans, só há duas maneiras de deter uma multidão: ou dando um
segundo objetivo a ela, ou jogando gás lacrimogêneo.
Os gás impede que as pessoas continuem recebendo os ferormônios umas das outras.
Por outro lado, a irritação nos olhos e a fumaça dão aos integrantes da multidão a impressão
de que estão sozinhos. Um indivíduo só age como multidão se tiver certeza de que está
incógnito. É a certeza de que seus atos individuais não serão percebidos que dá à multidão a
liberdade de agir. É por isso que são comuns as desordem em períodos de blecaute.
Dar um segundo objetivo também é eficiente, pois uma segunda proposta de ação leva
a multidão a pensar, e uma multidão que pensa deixa de ser multidão.
Em uma perspectiva fisiológica, a multidão seria um comportamento coletivo governado
pelo complexo R. Essa primeira camada de nosso cérebro é responsável pela autopreservação.
É aí que nascem nossos mecanismos de agressão e ações instintivas.
O comportamento de massa é uma novidade do século XIX e surge em decorrência do
processo de industrialização e desenvolvimento dos meios de comunicação de massa.
A massa age como multidão, de maneira irracional e manipulável. Mas não há
proximidade física. Não há ferormônios envolvidos.
Nos grandes centros, as pessoas estão isoladas, atomizadas, e a principal influência
acaba sendo os meios de comunicação de massa. É a multidão solitária.
A principal característica da massa é o pseudo-pensamento. A massa acredita que
pensa, mas só repete o que houve nos meios de comunicação de massa. Segundo Luiz
Beltrão, o poder massificante da sociedade é de tal ordem que o indivíduo se recusa a
acreditar que é apenas uma peça da engrenagem social e que suas idéias são idéias que lhe
foram implantadas pela mídia. Ao ser perguntado o porque de suas idéias, o integrante da
massa repetirá exatamente o que ouviu de seu apresentador de TV favorito. Ou então dirá
simplesmente: "É claro que é assim. Você não viu que saiu no jornal?" ou "mas todo mundo
gosta disso, por que você não gosta?"
Fisiologicamente, o comportamento de massa é identificado o complexo límbico, a
camada do cérebro característica de mamíferos e que governa o instinto de rebanho. Assim, a
aspiração máxima do integrante da massa é ser aceito pelos seus pares. Ele fará qualquer
coisa para se adequar e procurará repetir os outros em tudo. É o famoso Maria vai com as
outras.
O comportamento de massa fica claro em pessoas que têm ânsia de andar sempre na
moda. Vestir a roupa do momento é uma forma de não "estar por fora". Claro que quem ditará
o que é moda são os meios de comunicação de massa, que se aproveitam dessa necessidade
de rebanho, de aceitação social, para vender seus produtos e manipular a massa.
Como a massa não pensa, ela precisa de alguém que pense por ela, ela precisa de um
pai, que lhe diga o que fazer. Esse papel já foi exercido por líderes políticos, como Hitler e
Getúlio Vargas. Não é à toa que o ditador brasileiro era chamado de "pai dos pobres". Hoje
quem normalmente exerce essa função são figuras importantes da mídia, tais como
apresentadores de TV. Esse inclusive é um fator potencialmente perigoso da massa. Como
obedece cegamente aos impulsos recebidos pela mídia, a massa pode adotar um tom de
verdadeiro fanatismo contra qualquer um que ouse discordar de seus pontos de vista.
Como a massa não tem consciência de sua situação, ela é feliz, feliz como o gado na
engorda. Não é à toa que Zé Ramalho nos diz, em musica cantada como toada de boi: "Eh!
Oh! Oh! Vida de gado Povo marcado eh! Povo feliz...".
O homem das multidões de Poe era um homem-massa, incapaz de estar só, mas
também incapaz de criar relacionamentos profundos. Sua única aspiração era ser aceito pelo
grupo, mesmo que para isso precisasse sacrificar sua identidade. Poe o abandona dizendo
que de nada adiantaria continuar a segui-los, pois tudo que se poderia saber dele já se sabe.
A massa não tem é oca por dentro. São pessoas de palha, como definiu Ray Bradbury no livro
Fahrenheit 451, referindo-se às pessoas que assistiam à televisão.
A terceira forma de comportamento coletivo é o público. A palavra vem do latim
"publicus", que significa depois da adolescência. Ou seja, público é aquele que alcançou a
maturidade intelectual e psicológica.
A característica do público é ser racional e defender sua individualidade. Enquanto na
multidão, o indivíduo quer ser anônimo, enquanto na massa, quer ser igual aos outros, no
público ele quer ser ele mesmo.
O público não se deixa manipular e seus argumentos são frutos de um raciocínio
interior. O público defende tal ponto de vista porque refletiu sobre ele e chegou à conclusão de
que essa é a melhor idéia, e não porque alguém lhe disse. O comportamento de público é
governado pelo neocórtex, a camada mais recente do cérebro, que controla a linguagem
simbólica, a leitura, o cálculo, a criatividade e a crítica.
Em uma perspectiva junguiana, o público é aquele que passou por um processo de
individuação e tornou-se capaz de tomar decisões sozinhos, sem precisar de um pai que lhe
diga o que fazer.
Da mesma forma que a mídia cria massa, pode também ajudar a criar público. Listas
de discussão e sites como o Digestivo Cultural podem ser espaços privilegiado para que esses
compartilhem idéias e troquem informações. Da mesma forma, programas de televisão e
filmes podem criar uma consciência crítica em seus receptores.

Prof. Doutor Ivan Carlo

quarta-feira, novembro 10, 2004

1ª abordagem dinâmica sobre grupos


ou como brotamos de uma série interminável de gerações de assassinos




Freud debruça-se sobre o fenómeno dos grupos, e pelo papel do inconsciente na vida colectiva no seu livro "Totem e Tabu" (Freud, 1913). Já antes Le Bon em " A Psicologia das Massas" se refere a fenómenos afectivos colectivos, inconscientes, nos quais os membros da multidão estão implicados. Freud interessando-se sobre este trabalho e sobre trabalhos sócio-antropológicos sobre os fenómenos totémicos, bem como a toda a sua experiência em grupos de trabalho e os conflitos que aí surgiram, expande o complexo de Édipo para a base de sustentação da toda a cultura e educação.

Para Freud (1913) os dois tabus do totemismo (proibição do parricídio e do incesto) fundam a moralidade humana, onde o mito da horda primitiva surge como estruturante dos processos relativos tanto de grupos restritos como de grandes colectividades e organizações.

MITO: Uma horda primitiva dominada por um pai tirano e violento, apropriando-se das mulheres e expulsando os filhos, defendendo assim o seu direito de propriedade. Os irmãos expulsos revoltam-se e matam o pai, em forte cumplicidade e onde nenhum elemento isolado se diferencia, realizam um festim em que o morto é comido. Esta comunhão totémica consubstancia o modelo de identificação primitiva em que a incorporação da força e poder paterno, funda a culpabilidade dos filhos, materializando a identificação de cada um ao antepassado invejado e temido. Por esta idealização, simboliza-se a solidariedade e igualdade entre todos e a sua identificação mútua, fundando-se a sociedade nova assente em dois tabus: renunciar a matar e comer o animal totémico (substituto do pai morto idealizado) e renunciar a ter relações sexuais com as mulheres ou as filhas do pai (precursores do interdito do incesto e do principio da exogamia). O amor fraternal podia tomar o lugar dos ciúmes primitivos que existiam entre os irmãos (Freud, 1913).

A figura patriarcal autoritária, através da sua força legisladora e orientadora, organiza toda a vida grupal. Da mesma forma que existe um homem primitivo em cada individuo existe uma horda primitiva em cada da grupo (Freud, 1921).


A ambivalência de sentimentos sentidos pelas crianças em relação à figura paterna, semelhante à dos subordinados em relação à figura de autoridade; a idealização do pai morto, divinizado ou transformado em objecto de culto, protótipo de sociedade ideal, onde todos os homens, filhos de um pai simbólico seriam irmãos e iguais; a eficácia de uma morte aplicada em conjunto como forma reforço da coesão grupal; a teia comum de intenções que atenua os sentimentos individuais de culpabilidade, em que a identificação de cada um ao personagem assim comemorado permite encarnar a unidade de acção grupal (Freud, 1921)

A proibição do incesto torna-se, para o autor, o fundador da vida social. No mito a morte colectiva do pai, torna-se simbólica aos membros de uma comunidade, permitindo a sua idealização e a vivência de sentimentos amor\ódio. A incorporação da sua imagem é também a assunção de uma lei comum, defendendo o grupo perante as ameaças provocadas pela diferença e heterogeneidade (Sá, 2003).

É a raiz não só do espírito de grupo, mas também das noções de justiça, de dever, essenciais ao processo civilizacional.

Em "Psicologia das Massas e Análise do Eu", Freud (1921), delineia a segunda tópica, concebendo o aparelho psíquico como estrutura constituída pelo Id, Eu e Supereu. E também refere-se à identificação como o mecanismo fundamental no funcionamento dos grupos, comparando o mecanismo de identificação à sugestão hipnótica e ao estado amoroso. O autor dá o exemplo de duas grandes organizações, o exército e a igreja, funcionando dois tipos de identificação, uma em relação ao líder e outra em relação aos pares. O líder é interiorizado e a sua imago toma, no indivíduo da organização, o lugar do Ideal do Eu, tornando-se este comum a todos os membros da organização, assegurando a unidade colectiva. Estabelece-se também um conjunto de identificações entre os elementos do próprio grupo, ao nível do Eu, conduzindo ao reforço e manutenção da coesão grupal.
Para Freud um grupo existe porque "…um certo número de indivíduos colocaram um só e mesmo objecto no lugar do seu Ideal do Eu e, consequentemente, se identificaram uns com os outros em seu Eu." (Freud, 1921).

As identificações, mais imaginárias em relação ao líder e mais simbólicas em relação aos pares, funcionam para o grupo como protecção em relação aos riscos de ruptura e, de manutenção de baixos níveis de agressividade intragrupal na identificação entre pares, e a admiração da imago de um líder bom e poderoso contribui para que reine a concórdia apelando à luta contra o inimigo externo (Sá, 2003)

De referir a evolução do pensamento de Freud nestas duas obras fundadoras da psicanálise grupal. Em "Totem e Tabu" antecipa o conceito de Supereu, instância psíquica esta que viria a substituir a censura entre as instâncias da primeira tópica, e em "Psicologia das Massas e Análise do Eu" com a segunda tópica e, a passagem de um modelo do mundo mental fisicista para uma nova representação do aparelho psíquico já influenciada pelo social, pelo estudo da vida dos grupos. O funcionamento mental deixa de ser uma entidade unívoca, para se constituir como "um teatro interior preenchido por personagens representantes de pulsões, de afectos e mecanismos de defesa, bem como imagens interiorizadas dos pais, educadores e figuras significativas da vida do sujeito." (Sá, 2003).

Laplanche e Pontalis (1967) referem a progressiva antropormorfização nos conceitos, afastando-se das ciências físicas, "o campo intra-subjectivo tende a ser concebido segundo o modelo das relações inter-subjectivas, os sistemas são representados como pessoas relativamente autónomas na pessoa". Esboço das relações objectais desenvolvidas por M. Klein.

A conceptualização do aparelho psíquico incorpora, segundo Freud, a interiorização do mundo grupal onde o sujeito realiza as suas primeiras experiências, estando a família no núcleo deste processo. Os principais subsistemas psíquicos têm origem nos movimentos de identificação e projecção. O Supereu e o Ideal do Eu, sistema de regras e interdições e o sistema de valores pessoais, resultam da interiorização das relações essencialmente entre pais e filhos, respectivamente no plano da autoridade e da estima, mas não se restringem a este grupo, "cada indivíduo faz parte de vários grupos, está ligado por vínculos de identificação em vários sentidos e construiu o seu Ideal do Eu segundo os modelos mais variados" (Freud, 1921).

sábado, novembro 06, 2004

Apresentação

Olá, sou novo por cá o que me impulsiona a apresentar-me, no que diz respeito à minha orientação académica e teórica, na qual os meus futuros posts serão influênciados. Na psicologia fiz minha formação, ainda e sempre incompleta, na vertente clínica elegí o meu método preferido de análise dos fenómenos que não compreendo, na psicanálise bebi e bebo, primeiro sem o saber, depois sabendo-o sem o imitar. Pricipalmente na análise individual e depois na análise de grupos e organizações. E actualmente, no campo da epistemologia das ciências, da análise dos paradigmas em psicanálise e na psicologia em geral, e a sua influência em todos os desenhos ciêntificos bem como a todos os níveis de investigação. Sou homem, jovem, e agnóstico, e nisto traço a fronteira que em vez de me definir deveria ser de explorar, como toda e qualquer caracterização. Sou um ciêntista de fé, i.e., como qualquer ciêntista acredito haver sempre algo para ser descoberto, aparentemente sem razão, só fé.
Abraço

sexta-feira, outubro 29, 2004

A visão

O acto de ver parece banal para o normal dos seres humanos, é apenas mais um sentido aliado ao olfacto, ao tacto, à audição e paladar (além de outros menos conhecidos e mais específicos), mas a nossa visão guarda em si um sistema muito complexo que nos obriga a admirá-lo. O próprio olho em si é um elemento resultante de milhares de anos de evolução mas este post abordará em concreto como interagem as várias estruturas cerebrais durante o processo de ver.

Vou começar por exemplificar que aquilo que, por exemplo, o nosso olho direito vê é projectado bilateralmente, ou seja, a informação somática ou impulsos visuais de cada olho, individualmente, projecta-se nos dois hemisférios cerebrais, concretamente no córtex visual, que se encontra no lobo occipital. No entanto as informações referentes ao campo visual direito são projectadas contra-lateralmente, ou seja, no hemisfério esquerdo, assim como os inputs recebidos do campo visual esquerdo são recebidos no hemisfério direito. Para clarificar esta situação, de díficil compreensão numa primeira estância temos esta imagem.

Vamos tomar como exemplo o olho esquerdo do indivíduo, direito para quem vê a imagem desta perspectiva. Como podem constatar existem dois filamentos azuis, um refere-se à imagem nasal e outro à imagem temporal do olho esquerdo. Já que aquilo que vemos cruza-se no globo ocular a visão nasal corresponde àquilo que o olho esquerdo vê para o extremo do lado esquerdo e a visão temporal do olho esquerdo corresponde àquilo que esse olho vê numa direcção mais orientada para a direita como exemplificado na figura.
Por este raciocínio a visão nasal do olho direito e a visão temporal do olho esquerdo formam o campo visual direito enquanto que a visão nasal do olho esquerdo e a visão temporal do olho direito formam o campo visual esquerdo. Seguindo os filamentos de cor é possível constatar-se porque os campos visuais são projectados contra lateralmente. De realçar também que esta informação é levada pelo nervo óptico, cruza-se no quiasma óptico, passa pelos núcleos geniculados laterais e finalmente chega ao córtex visual, situado no lobo occipital, ou parte posterior do cérebro, posterior tendo em conta uma perspectiva frontal do sujeito.

Para não tornar este post maçador vamos fazer uma pequena experiência que remete para a integração dos dois campos visuais numa só imagem.
Junte os dois dedos indicadores em frente aos olhos a uma distância de aproximadamente 10 centimetros desta maneira ---><---, tendo como fundo uma parede ou algo semelhante e os dedos à sua frente começe a focar a parede do fundo e afaste ligeiramente os dedos indicadores um do outro. Consegue reparar num dedo flutuante?

quarta-feira, outubro 06, 2004

Procura-se

Procuram-se colaboradores das mais variadas áreas que possuam um mínimo de interesse e motivação em transmitir conhecimento útil para o quotidiano de cada um de nós ou simplesmente para satisfazer algumas curiosidades.
Procura-se alguém ciente de que um grupo de pessoas bem organizado pode fazer muito por uma sociedade, principalmente a portuguesa que prefere observar pseudo vedetas/celebridades a passear por uma quinta a dizer as maiores barbaridades possíveis e imaginárias em vez de procurar algo que lhes seja útil e passível de melhorar a sua qualidade de vida.
Procura-se alguém que retire prazer em combater o obscurantismo e a ignorância em que vários elementos da sociedade nos tentam afundar.
Procura-se alguém que queira marcar a diferença, quer seja por actos, quer seja por palavras.
Se reunes estes requisitos envia um mail para het@netvisao.pt.
É preciso alguém que partilhe o seu conhecimento, e no processo queira adquirir mais. É necessário alguém que não perca a sua motivação durante todo esse processo.
Este espaço pode ser teu para atingires o objectivo de informar aqueles que têm a curiosidade de questionar, aqueles que pesquisam para seu próprio bem estar, aqueles que pesquisam para tentar responder a perguntas que dificilmente se encontrará resposta e mesmo para deixares alguém a pensar.
O convite está lançado.

segunda-feira, setembro 27, 2004

A Perda de um Medo

Estudo realizado com ressonância magnética mostra regiões cerebrais activas neste processo!

Cena de Psicose, filme de 1960 de
Alfred Hitchcock (foto: reprodução)


Pesquisadores da Universidade de Nova York descobriram como funciona o cérebro humano quando perdemos o medo de algo. Mais do que um mero esquecimento desse medo, o que ocorre é uma aquisição de conhecimento: o cérebro aprende o não-medo.
O estudo revelou pela primeira vez detalhes das regiões cerebrais mais activas neste processo. Duas áreas estão envolvidas: uma pequena estrutura chamada amígdala, que constitui a chave para aprender o medo e o seu 'esquecimento', e uma região ligada a ela, o córtex pré-frontal, provavelmente essencial para memorizar a perda do medo.
Os pesquisadores submeteram voluntários a uma experiência muito simples: eles observavam num monitor, quadrados amarelos e azuis em diferentes sequências. Em algumas aparições da figura azul, os participantes recebiam um choque aplicado por um eléctrodo.
"Os voluntários aprenderam que essa cor significava um choque em potencial, enquanto o amarelo indicava que a descarga eléctrica não ocorreria", explica o neurocientista brasileiro Mauricio Delgado, pesquisador da Universidade de Nova York. Radicado nos Estados Unidos há 17 anos, Delgado é um dos quatro autores do estudo, publicado em 16 de setembro na revista Neuron.
Antes do teste, foi permitido aos voluntários estabelecer o nível da descarga eléctrica que iriam receber para que fosse apenas desconfortável e não doloroso. Delgado explica que o medo dos quadrados azuis, associado à concretização da experiência indesejada -- o choque recebido em algumas aparições daquela figura -- activava no cérebro dos participantes a área da amígdala.
No mesmo dia em que o medo havia sido adquirido, os voluntários foram submetidos a uma nova sessão de testes -- desta vez, para avaliar como reagiam à extinção do medo. O mesmo exame foi aplicado, mas quando o quadrado azul aparecia, não havia descarga eléctrica. Uma nova sessão de testes sem qualquer choque foi realizada no dia seguinte.
O cérebro dos voluntários foi monitorado durante as sessões por um aparelho de ressonância magnética. O aumento de actividade na amígdala já era esperado pelos pesquisadores, devido ao resultado de estudos anteriores. O que surpreendeu a equipa foi o padrão de activação dessa região nos casos em que a ausência do choque era associada ao quadrado. "A amígdala codificou informações sobre o evento e alterou a resposta quando o novo dado se encontrou disponível e, assim, considerou o seu esquecimento como uma aquisição de conhecimento", afirmam os pesquisadores no artigo.


Segundo os cientistas, a actividade no córtex pré-frontal sugere que ele está associado à assimilação da extinção do medo. "Entender como o medo é adquirido é um passo importante para desenvolver tratamentos para fobias relacionadas a desordens como ansiedade e stress pós-traumático", ressalva Delgado. "No entanto, compreender como os medos são reduzidos pode ser ainda mais precioso."
Os pesquisadores destacam que os resultados podem servir de base para aperfeiçoar um modelo do mecanismo de apreensão do medo e o seu esquecimento, que permitirá avaliar se esse processo funciona da mesma forma em diferentes espécies.

sábado, setembro 25, 2004

Esquizofrenia

A esquizofrenia é uma das patologias menos entendidas no panorama da saúde e doenças mentais, sendo também uma das mais confusas e bizarras.
Cerca de 1% da população mundial sofre de esquizofrenia durante a sua vida e apesar de se distribuir de forma equalitária entre sexos, ocorre prematuramente nos homens, normalmente durante a adolescência recente ou na faixa etária que circunda os 20 anos enquanto que nas mulheres a patologia, geralmente, manifesta-se mais tarde.
Mas indo de encontro ao grosso da questão a esquizofrenia é caracterizada por alucinações sofridas pelo indivíduo, vendo pessoas que ninguém mais consegue ver, ouvindo-as, tocando-as e sentindo todos os estímulos inerentes ao toque que consideramos verdadeiro.
Na grande maioria dos casos estas alucinações são responsáveis por histórias complexas que são incutidas na vida pessoal do indivíduo, como conspirações ou missões divinas.
Esta patologia começa a manifestar-se em sintomas como: estado de tensão do indivíduo, falta de concentração e de sono, levando a um retiro e isolamento social. Conforme a patologia progride os comportamentos são cada vez mais estranhos falando em coisas sem nexo e vivendo percepções incomuns.
Em alguns pacientes, as técnicas de mapeamento cerebral por imagens revelaram menor actividade cerebral no córtex pré-frontal e em alguns casos perdas reais de tecido, particularmente nas amígdalas-hipocampo, no lado esquerdo do cérebro. O córtex pré-frontal do cérebro afecta a memória, razão, agressividade e fala significativa; a actividade reduzida nesta área pode causar sintomas negativos. A área diminuída dos lobos temporais do cérebro e áreas límbicas que são relacionadas às emoções, parecem estar ligadas aos sintomas positivos, tais como ouvir vozes.

Alguns especialistas acreditam que a esquizofrenia se origina de uma desordem rara nos neurotransmissores (mensageiros químicos entre as células e o sistema nervoso). Um possível elo entre as anormalidades cerebrais e o desenvolvimento da esquizofrenia envolve o transporte de dopamina pelo neurotransmissor. A dopamina foi investigada por muitos anos, observando-se a princípio que certas drogas que reduzem a acção de dopamina no cérebro também reduzem os sintomas psicóticos. Por outro lado, drogas que aumentam a actividade da dopamina aumentam estes sintomas ou agravam a esquizofrenia. Esta pesquisa foi centralizada em receptores (moléculas nas células que se unem a outras moléculas) de dopamina, particularmente D1 (dopamina) e D2. Os estudos de imagem mostraram uma hiperactividade da dopamina nas partes do cérebro onde se parecem localizar os sintomas psicóticos. Em esquizofrénicos, o lado esquerdo do cérebro tende a ter concentrações mais altas de dopamina que o direito, o que provavelmente, não é devido a uma superprodução de dopamina mas a um aumento dos receptores químicos que atraem e fixam a dopamina em partes do cérebro que foram deterioradas. A pesquisa revelou também baixa actividade de receptores de dopamina, D1, ocorrendo no córtex pré-frontal do cérebro, o que pode ser relacionado a sintomas negativos. Actualmente, os especialistas sugeriram que um equilíbrio anormal de dopamina, e não só a hiperactividade, são gatilhos para a síndrome da esquizofrenia e outros transmissores e químicas do cérebro continuam sendo objecto de estudos, tais como os níveis baixos de aminoácido glicídio encontrado nos cérebros de pessoas com esquizofrenia, dirige-se a pesquisa aos possíveis mecanismos e tratamentos relacionados a esta substância. Novos estudos indicam que os pacientes tendem a ter anormalidades protéicas no efeito reparador estrutural em função das células nervosas; duas destas proteínas que estão a ser investigadas são a ESTALO-25 e alfa-fodrin.

Estudando a fundo a esquizofrenia e vendo aquilo por que estes indivíduos passam, mais concretamente as alucinações que o seu cérebro entende como verdadeiras provocando no seu corpo todas as acções como se estivessem a viver uma situação real é caso para perguntar: o que é a realidade afinal? É algo que a maioria tem como certo ou algo que o nosso cérebro nos quer fazer pensar que é realidade? Será aquilo que vivemos mesmo real ou ilusões despoletadas e apoiadas pelas funções fisiológicas inerentes ao nosso sistema cortical? Fica a questão no ar!

Ecstasy

Uma outra droga ainda em voga

Ecstasy

Nomes de Rua: MDMA, Adam...

Apresentação
Chamada droga de recreio ou droga de desenho, o Ecstasy é uma droga de síntese pertencente à família das fenilaminas. As drogas de síntese são derivados anfetamínicos com uma composição química semelhante à da mescalina (alucinogéneo). Desta forma, o Ecsatsy tem acção alucinogénea, psicadélica e estimulante.
É, geralmente, consumido por via oral, embora possa também ser injectado ou inalado. Surge em forma de pastilhas, comprimidos, barras, cápsulas ou pó. Pode apresentar diversos aspectos, tamanhos e cores, de forma a tornar-se mais atractivo e comercial. Esta variabilidade abrange também a composição das próprias pastilhas, o que faz com que, muitas vezes, os consumidores não saibam exactamente o que estão a tomar.
Existem outras drogas de desenho entre as quais e podem referir o MDA ou o MDE e que apresentam nomes de rua como a pílula do amor, eva, etc.
O Ecstasy actua mediante o aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro. A serotonina parece afectar a disposição, o apetite e o sistema que regula a temperatura corporal. Não se conhecem usos terapêuticos para esta substância, embora tenha sido experimentada, antes da sua ilegalização, em contextos de terapia de casal e psicoterapia pelos seus efeitos entactogénicos.
Origem
O MDMA foi descoberto antes das anfetaminas ou dos alucinogéneos. Em 1912, os laboratórios alemães Merck isolaram acidentalmente o MDMA (MetileneDioxoMetaAnfetamina) e em 1914 patentearam-no como inibidor do apetite, o qual não chegou a ser comercializado. Só nos anos 50 é que, com fins experimentais, foi utilizado pela polícia em interrogatórios e em psicoterapia.
Nos anos 60 e 70 conseguiu grande popularidade entre a cultura underground californiana e entre os frequentadores de discotecas, o que levou à sua proibição em 1985. Foi baptizado com o nome de Ecstasy (XTC) pelos vendedores como uma manobra de marketing.
Na Europa, nos finais dos aos 80, o seu consumo aumentou, como se pode verificar, por exemplo, pelo número de pastilhas apreendidas pelas autoridades espanholas: 4.325 em 1989 e 645.000 em 1995. Este alargamento na Europa está também associado à queda do muro de Berlim e ao descontrolo político de alguns dos países do Leste europeu, onde a indústria farmacêutica está fortemente implantada. O Ecstasy foi inicialmente consumido em Ibiza e nos países do mediterrâneo, no contexto da noite e da música electrónica. O consumo espalhou-se, mais tarde, até à Inglaterra e Holanda, onde surge a nova cultura da rave entre os jovens.
Efeitos
Os primeiros efeitos surgem após 20-70 minutos, alcançando a fase de estabilidade em 2 horas. Diz-se que o MDMA pode combinar os efeitos da cannabis (aumento da sensibilidade sensorial e auditiva), os das anfetaminas (excitação e agitação) e ainda com os do álcool (desinibição e sociabilidade). Para além disso, pode oferecer uma forte sensação de amor ao próximo, de vontade de contacto físico e sexual.
O Ecstasy pode provocar uma sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da percepção de sensualidade, aumento da capacidade comunicativa, loquacidade, euforia, despreocupação, autoconfiança, expansão da perspectiva mental, incremento da consciência das emoções, diminuição da agressividade ou perda da noção de espaço.
A nível físico pode ocorrer trismo (contracção dos músculos da mandíbula), taquicardia, aumento da pressão sanguínea, secura da boca, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, dificuldade em caminhar, reflexos exaltados, vontade de urinar, tremores, transpiração, cãibras ou dores musculares.
Os efeitos desaparecem 4 a 6 horas após o consumo. Podem ocorrer algumas consequências residuais nas 40 horas posteriores ao consumo.
Riscos
A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, deterioração da personalidade, depressão, ansiedade, ataques de pânico, má disposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insónia. Estas consequências podem ainda ser acompanhadas de arritmias, morte súbita por colapso cardiovascular, acidente cérebro-vascular, hipertermia, hepatotoxicidade ou insuficiência renal aguda.
O consumo de ecstasy e a actividade física intensa (várias horas a dançar) pode provocar desidratação e o aumento da temperatura corporal (pode chegar a 42º C), o que por sua vez pode levar hemorragia interna. A desidratação e a hipertimia têm sido causa de várias mortes em raves. A hipertimia pode ser reconhecida pelos seguintes sinais: parar de transpirar, desorientação, vertigens, dores de cabeça, fadiga, cãibras ou desmaio. Como forma de precaução, aconselha-se a ingestão de água. No entanto, a ingestão excessiva de água pode também ser perigosa (a intoxicação de água pode ser fatal).
É de referir que esta droga é frequentemente falsificada e substâncias como as anfetaminas, a ketamina, o PCP, a cafeína ou medicamentos são vendidos com o nome de ecstasy.
Tolerância e Dependência
O desenvolvimento de tolerância pode ser favorecido pelo uso contínuo do ecstasy. A dependência psicológica pode verificar-se mas não existem dados conclusivos relativamente à dependência física.

A responsabilidade da Informação é do site

Ketamina

Por uma questão de saúde pública:

Não Tomes Drogas mas se tomares toma conscientemente
e
Conhece os perigos Que poderás Enfrentar

Hoje começamos com a Ketamina
Nomes de Rua: K, special K

Apresentação
A ketamina é um poderoso anestésico dissociativo que se encontra sob a forma de pó branco, líquido ou tablete e que é consumido por via oral, inalada ou injectada. A sua posse não é ilegal, dado que é prescrita por médicos.
A K ou special K, como é chamada pelos seus consumidores, é uma droga psicadélica derivada da fenciclidina. Parece deprimir selectivamente a função normal de associação do córtex e tálamo, aumentando a actividade do sistema límbico e produzindo um efeito analgésico e amnésico.
Origem
A ketamina foi produzida em 1965 pelos laboratórios Parke & Davis como um anestésico para uso humano (cirurgias) e, principalmente, veterinário. Foi utilizada no Vietnam para diminuir a dor dos feridos.
Começou a ter funções recreativas nos anos 70, muito associado à cultura Gay, sendo depois integrada nos contextos de festas rave.
Efeitos
A ketamina, cujos efeitos duram cerca de uma hora, pode produzir sensações de não pertença ao corpo, entorpecimento, alucinações profundas, visão em túnel, dificuldade em controlar movimentos e sentimentos, distorção do sentido de tempo e de identidade, sensação de distorção do corpo, experiência próxima da morte (a sensação de caminhar num túnel em direcção a uma luz brilhante), sensação de sufocar, amnésia ou delírio. Para além disso, podem ainda ocorrer vómitos, náusea, diarreia, baixa de temperatura, deterioração da função motora, coma e problemas respiratórios potencialmente mortais.
Riscos
Pode provocar problemas físicos e mentais profundos, incluindo delírio, amnésia, deterioração da função motora e problemas respiratórios potencialmente mortais.
A ketamina não deve ser misturada com álcool. Por vezes é vendida como ecstay.
Tolerância e Dependência
Esta substância cria tolerância. Não produz dependência física mas tem um ligeiro potencial para criar dependência psicológica.
A responsabilidade da informação pertence ao Site

quarta-feira, setembro 22, 2004

Unidades

Um problema que me deparo constantemente, e acredito que a muita gente também aconteça, é a conversão de unidades.

Embora oficialmente exista um Sistema Internacional de Unidades, são muitas as vezes que ao consultar um livro técnico, manual, ou ao efectuar uma pesquisa na net, me deparo com unidades no Sistema Imperial ou noutro sistema de medida qualquer.

Apresento-vos uma solução poderosa que encontrei, que de certo que para quem tem que lidar todos os dias com unidades e conversão das mesmas será bastante util:

EngNet Tools -> http://www.engnetglobal.com/tips/toolsapp/dl.asp

É extremamente simples de usar, não precisam de registar, é totalmente livre, e nem sequer precisam de subscrever o que está na pagina de download, a não ser que estejam mesmo interessados.


sexta-feira, setembro 17, 2004

Saber viver com as Alergias

O que é uma alergia?

É uma reacção anormal da pele, olhos ou outra parte do corpo, provocada pelo contacto entre o organismo e uma substância estranha habitualmente inofensiva, chamada alergeno. Esta reacção surge apenas num segundo ou posterior contacto.

Como se manifestam as alergias?

Pode apresentar vários sintomas e sinais, em conjunto ou isolados. Os órgãos mais afectados e so sintomas mais frequentes são:

  • Aparelho digestivo: diarreia, edema da glote;
  • Pele: urticária, eczema;
  • Aparelho respiratório: asma, rinite;
  • Olhos: conjuntivite, eczema nas pálpebras.
Estas reacções podem ir de ligeiras a graves. O caso mais grave é o "choque anafilático", que é uma reacção que envolve todo o organismo, podendo pôr em risco a própria vida.


Quem pode sofrer de alergias?

Todas as pessoas podem sofrer de alergias. No entanto, filhos de pais com alergias têm maior probabilidade para desenvolverem reacções alérgicas.


Quais são os principais alergenos?

  • Ambientais: ácaros, pó de casa, pólen, pêlos de animais, bolores, fumos, gases;
  • Alimentares: proteínas do leite, peixe, marisco, ovo, frutos secos;
  • Medicamentos: penicilina, ácido acetilsalicílico e outros.

Os indivíduos alérgicos podem ainda reagir a alguns estímulos irritantes tais como: poluentes ( fumo do tabaco, poluição atmosférica), mudanças climatéricas, humidade, exposição industrial e ocupacional e medicamentos.


Como tratar as alergias?

Há medicamentos que aliviam os sintomas e podem prevenir o aparecimentos das reacções.
Na pele além do tratamento com medicamentos recomenda-se para o banhos, produtos emolientes e sem sabão, que não sequem a pele, aplicação de cremes e loções após o banho que mantenham a pele hidratada e que aliviem a comichão.
Há ainda um tratamento específico destinado a reduzir a intensidade da reacção alérgica ou anulá-la. este tratamento faz-se com doses pequenas do próprio alergeno e chama-se imunoterapia.


O que podes fazer para prevenir as alergias?

Evitar o contacto com os alergenos.

Em casa:
  • No quarto: não deve ser húmido, mas arejado frequentemente; o chão deve ser fácil de lavar e não deve ter tapetes ou alcatifas que acumulam pó e ácaros; o colchão deve ser aspirado regularmente; preferir cobertores e edredons sintéticos; utilizar coberturas antiácaros; lavar regularmente e a altas temperaturas (+ de 55ºC.) a roupa da cama; não fumar;

  • No resto da casa: aspirar com frequência e mantê-la isenta de pó; não ter animais se lhes for alérgico; as janelas devem ser mantidas fechadas na época da polinização;

Em viagem: se fores alérgico ao pólen mantém as janelas do carro fechadas;
Na alimentação: não ingiras nenhum do alimentos a que és alérgico.

Em relação às crianças:
  • Sempre que possível, nos primeiros seis meses de vida, as crianças devem ser alimentadas com o leite materno;
  • A introdução de novos alimentos deve ser gradual, conforme as instruções do médico;
  • Os alimentos mais alergénicos são: leite de vaca, alguns tipos de carne e peixe, chocolate, citrinos, morangos, frutos secos, etc.

(anf - Associação Nacional das Farmácias)

terça-feira, agosto 31, 2004

Déjà vu?

Déjà vu, a sensação que sempre intrigou o ser humano, que o fez acreditar em vidas passadas ou algo isotérico.
Esta sensação é conhecida por criar um estado de vivência repetida no indivíduo, a viver algo que já tinha vivido, a ver algo que já tinha visto, a dizer algo que já tinha dito exactamente nas mesmas circunstâncias às mesmas pessoas. É normal que esta sensação intrigue, e mesmo apavore, o ser humano mas graças à investigação neurológica já se sabe algo mais acerca desta sensação, sensação que afinal pode não passar de falhas corticais de processamento de informação.

Arthur Funkhouser de maneira a delinear esta sensação e permitir um estudo mais aprofundado dividiu-a em 3 categorias: déjà vecu (já experimentado), déjà senti (já sentido), e déjà visité (já visitado).

Déjà vecu é a sensação mais regularmente sentida e envolve viver um acontecimento e sentir que ele já tinha sido vivido, usando para tal todos os sentidos: visão, tacto, olfacto, gosto e audição, e há ainda a sensação de que se sabe o que irá exactamente acontecer de seguida.
Déjà senti não envolve qualquer premonição e o episódio dissipa-se rapidamente da memória, esta sensação encontra-se fortemente relacionada com a captura parcial de experiências de pacientes que sofrem de epilepsia do lobo temporal.
Déjà visité trata-se uma situação mais rara na qual um indivíduo visita um local completamente novo para si e sente que lhe é familiar. Encontra-se mais associado a dimensões espaciais enquanto que o déjà vecu é associado com situações e processos.

Mas aquilo que as pessoas devem perguntar é: Mas como é que acontece isto? São sinais de alguma vida passada?
A resposta é ainda incompleta mas já se possui muita informação. Quanto a uma vida passada duvido que os neurónios sejam hábeis nas viagens temporais, e se conseguissem interligar exactamente da mesma forma que se encontram no indivíduo actual, por isso e por toda uma panóplia de questões científicas a vida passada está posta de parte. Vamos analisar as várias teorias:

O neuropsiquiatra Pierre Gloor ao conduzir experiências de memória defendeu a teoria do "processamento duplo" em que a memória se suportava em dois sistemas: o de familiaridade e o de recuperação, tendo especulado num artigo de 1997 que o déjà vu ocorre nos raros momentos em que o sistema de familiaridade é activado mas o de recuperação não. Outros estudiosos argumentam que o sistema de recuperação não é desligado completamente mas possui falhas de sincronização.

Investigadores descobriram que a sensação de déjà vu pode ser desencadeada manualmente ao se estimular electricamente regiões específicas do cérebro. Josef Spatt, através do seu trabalho com epilépticos argumentou que as sensações de déjà vu são causadas por breves e inapropriados estímulos no córtex parahipocampal, córtex este associado com a habilidade de detectar familiaridade.

Outra das teorias estudadas e cientificamente testada consiste em defender que basta um elemento isolado para despoletar sensações de déjà vu, ou seja, um elemento relativamente conhecido, quer seja num filme, revista, fotografia ou mesmo já visto, pode provocar a recuperação de outras memórias que o indivíduo já tinha adquirido mas que ao não ter consciência do facto se torna em déjà vu já que o elemento e a memória não lhe são estranhas.

Alguma bibliografia:

segunda-feira, agosto 30, 2004

Ciclo Menstrual

Na sequência do post anterior e de modo a evitar que seja necessário recorrer-se a este tipo de contraceptivos existem vários metódos que retiram o grande risco de se engravidar ou contrair DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), mas além desses métodos é necessário antes de mais conhecer-se o sistema em que estes actuam e também conhecer o corpo, neste caso o corpo feminino, que quando bem controlado é possível evitar-se alguns dissabores, apesar das irregularidades inerentes.

Ciclo Menstrual

No início do ciclo (Dia 1) a glândula pituitária secreta FHS ( follicule stimulating hormone - Hormona folicular estimuladora) que causa o aparecimento de um folículo imaturo nos ovários
A FHS continua a exprimir-se e a permitir o desenvolvimento do folículo, até que a um certo momento (por volta do 6º dia) o próprio folículo começa a secretar estradiol que possui dois grandes efeitos:
  • Estimula o crescimento das paredes interiores do útero.
  • Estimula receptores na glândula pituitária.

Assim que um nível suficiente de estradiol é alcançado, a glândula pituitária é estimulada a libertar LH (luteinizing hormone). Esta hormona irá causar a ocorrência da ovulação (Dia 9).

A ovulação ocorre e a LH provoca a libertação do óvulo que se dirigirá para as trompas de falópio. A partir desde momento, se o esperma se encontrar com o óvulo a mulher terá a probabilidade de ficar grávida (Dia 12).

A LH continua a sua influência e o folículo agora vazio transforma-se em corpus luteum que começa a secretar estradiol e progesterona, substâncias estas que serão importantes na formação do útero para a sua nova tarefa: a construção de condições para receber o óvulo, aumentando o volume das paredes e formando uma textura adequada para a recepção e captagem do óvulo, que poderá já estar fecundado ou fecundado durante este processo de captagem.

Se não ocorrer fecundação os níveis de progesterona começarão a decrescer e os vasos sanguíneos das paredes do útero começaram a contrair-se dando início à menstruação (dia 26 em média). Finalizado isto o ciclo tem o seu fim e está pronto a começar-se outro.

A linha verde representa a fertilidade da mulher.

Artigo baseado em: Carlson. Neil R., NeuroScience Animations For Foundations of Physiological, Fifth Edition

Contracepção de Emergência


O que é?

A contracepção é um método ocasional de emergência usado após uma relação sexual mal ou não protegida em que haja risco de gravidez não desejada.

A pílula do dia seguinte, como muitos a conhecem, contém altas doses de estrogénio e progesterona e tem que ser tomada, preferencialmente nas primeiras 12 horas após a relação sexual não protegida, até 72 horas (3 dias) no máximo. A toma desta pílula específica pode prevenir com eficácia e segurança uma gravidez não desejada. No entanto a sua eficácia é tanto maior quanto mais rápida for tomada.
Este método actua de várias formas, para a prevenir a gravidez, consoante a altura do ciclo menstrual em que for tomada:
  • Pode impedir ou atrasar a ovulação;
  • Pode impedir a fecundação/ fertilização (encontro do óvulo com o espermatozóide);
  • Pode impedir a implantação do óvulo na parede do útero (nidação), isto é, o início a gravidez.

Mas, em relação aos diversos mecanismos de acção, aquele mecanismo que cientificamente está comprovado e actua é o primeiro, ou seja, não chega a dar-se a fecundação.

A pílula do dia seguinte pode provocar, em algumas mulheres, efeitos secundários, tais como:

  • náusea e vómito;
  • tonturas, fadiga, cefaleia (dores de cabeça);
  • dores abdominais inferiores;
  • tensão mamária;
  • atraso na menstruação;

Se vomitar nas primeiras 3 horas, é provável que a absorção do medicamento não tenha sido feita pelo organismo, sendo assim deve-se repetir a mesma dose de medicação.

A contracepção de emergência deve ser usada como recurso excepcional, uma vez que:

  • Não previne a ocorrência de uma gravidez em qualquer situação, como tal após a utilização da contracepção de emergência deve-se utilizar um método contraceptivo de barreira (preservativo, espermicida...) em cada relação sexual até ao próximo período menstrual;
  • A administração desta pílula durante o mesmo ciclo menstrual contribui para uma sobrecarga hormonal com possíveis alterações graves no ciclo menstrual;
  • Não pode interromper uma gravidez;
  • Não protege contra a SIDA e outras Doenças Sexualmente Transmitidas (DST).

Também não é recomendável recorrer à contracepção de emergência regularmente, tanto pelos efeitos secundários que pode provocar nalgumas raparigas, quanto pela cada vez menor eficácia contraceptiva em relação a outros métodos contraceptivos.

Após a administração desta pílula, o fluxo menstrual aparece na data prevista e com uma abundância normal; no entanto, poderá surgir alguns dias antes ou depois do esperado. Se surgir um fluxo anormal no dia esperado a menstruação ou se esta tiver mais do que 5 dias atrasada, é aconselhável fazer um teste de gravidez.


Para mais informações:

domingo, agosto 29, 2004

Arco Reflexo

Quem de nós nunca tocou em algo quente e teve um imediato reflexo de retirar a mão e lançar a famosa asneira "f...!!!" ?? Se analisarmos bem a situação apenas depois de retirarmos a mão é que o cérebro interpreta a dor e processa a dicção quase inconscientemente.
Este é um dos melhores mecanismos que remetem para a sobrevivência ou morte do índividuo, já que os milisegundos que a informação demora a ser transmitida ao cérebro, analisada, processada e respectiva resposta podem significar a diferença entre a vida e a morte, como no caso de estarmos numa passadeira e ouvirmos uns travões ou buzina e agimos instantânea e inconscientemente, apercebendo-nos apenas depois do perigo.
Mas se não é transmitido ao cérebro e é sabido que o cérebro é que movimenta todas as nossas acções como é que isto pode ser possível?

A resposta para esta pergunta-se simplifica-se em duas palavras: Arco Reflexo.
Funciona baseado neste sistema que passo a explicar:






Temos como exemplo o braço mas no entanto qualquer parte do corpo pode ser aplicada a este esquema.
Tomando como situação o levantar de uma panela para colocar de cima de uma mesa. Se pegarmos na panela quente sem termos noção da sua temperatura os receptores térmicos presentes nas nossas mãos enviam um sinal via neurónio sensorial, mas no entanto dada a gravidade da situação se ele for ao cérebro corremos o risco de uma queimadura profunda, e é aqui que entra mais uma vez a inteligência corporal a nível fisiológico. O neurónio faz sinapse (comunicação) com um neurónio motor a nível da espinal medula por meio de um neurónio de associação, neurónio motor que processa imediatamente informação para os músculos de forma a que estes actuem para evitar danos, durante este processo o neurónio envia para o cérebro a informação que transmitiu ao neurónio motor, e dada a velocidade de cada uma das vias a reacção inconsciente é mais rápida que a racional.

No entanto é possível inibir este reflexo se tivermos conhecimento da temperatura da panela e formos obrigados a colocá-la de cima da mesa. Já que a este arco encontra-se ligada uma via que vem do cérebro e é capaz de inibir a resposta motora imediata. É nestas situações que "estamos à rasca" para largar algo que nos está a provocar danos mas no entanto temos de realizar até ao fim. Em caso de lesão deste tipo de vias, quer hiper ou hipo excitação o sujeito pode apresentar reflexos completamente descontrolados ou nenhum reflexo mesmo que estimulado.

Existem vários testes para testar os reflexos que poderão ser apresentados um dia num post, reflexos esses que podem ser elaborados alguns por amadores, de maneira a identificares estes reflexos inatos e outros apenas por especialistas. Como exemplo fica o reflexo do tendão patelar, mais conhecido pela "pancada no joelho" que provoca uma reacção da perna impossível de controlar por mais esforço que se faça.

sábado, agosto 28, 2004

A Ciência da Sedução III

Apresentados os sinais positivos e negativos a que temos de estar atentos durante um encontro falta-nos o mais importante: o local e "programa" do encontro, que se bem escolhido haverá uma maior probabilidade de aparecerem os sinais positivos de interesse. Vamos analisar alguns locais ou situações:

Situação de Perigo --> Uma situação de perigo vivida e ultrapassada a dois é uma receita ideal para um encontro. Como por exemplo: montanha russa. As situações de perigo desencadeiam uma hiper produção de seratonina e dopamina, substâncias estas que aumentam a actividade cerebral, logo intensificam as emoções. Geralmente depois de vivida uma situação de perigo e respectivo prazer de se ter livrado dela, esse prazer é inconscientemente atribuído ao parceiro por ter vivido também essa situação, criando-se assim um laço químico e sentimental.

Surpresa --> Uma situação de surpresa liberta exactamente as mesmas substâncias que a situação de perigo criando um igual laço entre o casal, se a surpresa for de igual intensidade para os dois cria-se uma maior conecção.

Humor --> Situações de humor e riso libertam substâncias que relaxam o cérebro e actuam de modo a que o indivíduo se sinta bem, estado este que o torna mais receptivo para o causador deste mesmo bem estar.

Exercício --> Se queres uma situação propícia para cativar alguém combina com ela algo relacionado com desporto. A execução de tarefas desportivas liberta no nosso corpo uma dose mais elevada de endorfinas, endorfinas essas que aumentam o metabolismo assim como a actividade cerebral, aliado a isso encontra-se o maior envio de feromonas.

Dada esta informação tens todas as condições para seres original e ao mesmo tempo científico, mistura que não deve falhar.

A Ciência da Sedução II

Na continuação do post acerca de sinais físicos que demonstram um certo interesse por parte do parceiro, inconsciente ou não, vão ser aqui apresentados os sinais perceptíveis que apontam para uma falta de interesse ou mesmo desprezo, que bem entendidos são um claro sinal de STOP.

Compressão dos lábios --> Quando o parceiro comprime os lábios até ficar vísivel apenas uma "risca de lábio" é um péssimo sinal, maioritariamente verificado nas mulheres. Indica que o momento vivido ou o parceiro não corresponde às suas expectativas e que, possivelmente, desejaria estar noutro lugar.

Espaçamento posicional --> O indivíduo encontra-se distanciado do parceiro, em termos físicos, quando andam, se sentam, ou em qualquer tarefa. Esta distância é o suficiente para transmitir uma mensagem clara.

Mão atrás da cabeça --> Sinal negativo, durante uma conversa na maioria das vezes, que demonstra desinteresse e algum aborrecimento (ou mesmo muito).

Distância Angular --> Já explicada no post anterior. Numa situação em que ambos os troncos podem estar direccionados um para o outro e um dos parceiros mantêm uma distância angular (apontando o tronco noutra direcção), demonstra desinteresse.

Braços Cruzados --> Sinal claro de receio ou indecisão no decorrer de uma situação.

A terceira sequela é dedicada a situações que despoletam mais facilmente o acto de se apaixonar por alguém (depois não digam que não sou amigo :D )

quinta-feira, agosto 26, 2004

A Ciência da Sedução I

A sedução não se trata, como é óbvio, de um comportamento exclusivo do ser humano e assim como verificado nos animais existem sinais fisiológicos internos e externos capazes de determinar se a pessoa com quem estás se encontra realmente atraída por ti. São sinais que indicam interesse e te ajudam a decidir no rumo que podes dedicar a uma relação.
Aqui ficam alguns dos sinais a que te aconselho a estar atento(a):

Sincronia --> Imagina que efectuas um acto deliberado tal como pegar no copo enquanto falas, se essa pessoa o fizer também, de uma forma mais ou menos inconsciente é um óptimo sinal.

Sobrancelhas levantadas --> O erguer das sobrancelhas, criando algumas rugas na testa, denota um elevado interesse e a vivência de emoções mais fortes.

Posição dos pés - Pé de Pombo --> Esta posição do pé denota interesse, trata-se da projecção da biqueira para a frente levantando-se o calcanhar, quando sentado. É um sinal curioso que pode ser comprovado ao atirar-se algo para o chão e dar uma espreitadela.

Braços estendidos e ombros flectidos --> Outro sinal de "submissão" e interesse pelo parceiro.

Mímica --> Algo parecido com o conceito de sincronia mas ainda mais deliberado e propositado.

Orientação corporal --> A orientação do tronco é extremamente importante assim como a da cabeça, sendo uma posição frontal um sinal de maior receptividade. Quando existe aquilo que se denomina Distância Angular, (tronco aponta em outro sentido além do parceiro) é um sinal de "desprezo" e falta de interesse.

Estes são apenas alguns dos aspectos positivos que uma visão informada e detalhista pode detectar no parceiro, dando assim importante informação sobre este jogo de sedução.
Nos próximos posts desta sequela serão abordados os aspectos negativos, aquelas que são as melhores situações para alguém se apaixonar e ainda o papel importante das feromonas, que é comprovado cientificamente que contam tanto neste jogo como a aparência.

Artigo baseado no documentário da autoria do Odisseia - Mistérios da Sedução.

terça-feira, agosto 24, 2004

Evolução Cerebral

Ao longo de milhares de anos o volume craniano humano tem vindo a aumentar de modo a suportar o também crescente cérebro, mais concretamente a nível pré-frontal.
Ao analisar-se a evolução humana é inevitável relacionar inteligência com tamanho do cérebro, já que com a frequência de utilização de ferramentas, uso de criatividade e noção de aplicabilidade na construção de novos instrumentos, era cada vez mais necessário possuir capacidades cognitivas que acompanhassem as necessidades do homem. Essas capacidades cognitivas só seriam possíveis tendo uma base neurológica a suportá-las.

Pode-se retirar a conclusão de que se torna numa espécie de ciclo: novas tarefas estimulam o cérebro e permitem a sua evolução, enquanto que um cérebro melhor estimulado e consequentemente desenvolvido permite a realização de novas tarefas.
O crânio do Australopithecus Aferensis possuía um volume aproximado de 400 cc, (mesmo tamanho do cérebro de um chimpanzé), o tamanho do cérebro comum do Homo Habilis (Homo mais antigo, primeiro na utilização de ferramentas) rondava os 750 cc, enquanto que nos primeiros Homo Erectus (1,7 - 1 milhões de anos) rondava os 900 cc, verificando-se no entanto neste Homo o maior aumento evolutivo em tamanho do cérebro já que nos H. Erectus de há 500 mil anos já se verificava um volume craniano de 1100-1200 cc, estando dentro dos limites de variação do volumes do Homo Sapiens.

O crânio do homem actual, Homo Sapiens Sapiens, ronda os 1400 cc, que tendo em conta a relação entre massa corporal e massa encefálica é o maior cérebro do mundo animal.
É ainda de realçar que o crânio neandertalense rondava os 1500 cc, maior que o homem actual, mas no entanto estes possuiam uma massa corporal muito maior, sendo superiores em termos de robustez e constituição óssea. Talvez aborde o Neandertal num post já que esta espécie de "ser humano" merece atenção especial devido às inúmeras questões que levanta.

Da esquerda para a direita: Homo Habilis; Homo Erectus; Homo Sapiens. De salientar o aparecimento da "testa" que denota o crescimento cerebral pré-frontal responsável pela inteligência e execução de tarefas abstractas.