quarta-feira, dezembro 22, 2004

Felicidade plena é doença?

"Felicidade plena é doença?

Há algum tempo, tomei conhecimento do suicídio de um jovem de 25 anos, filho de poderoso empresário nacional. O rapaz teria deixado um bilhete com a explicação:
"- Enjoei de viver, nada me falta, tenho tudo, perdi o tesão de viver..."
As pessoas comentavam a inacreditável razão para o tresloucado gesto (expressão consagrada da crônica policial) e me interrogaram sobre isso. A gente ouve dizer acerca de desesperados que se matam por perderem algo ou alguém, por falta de emprego, ciúmes, depressão grave... mas, por tudo ter?
Gostava de brincar com meus filhos ao entrar no BH-Shopping, exclamando, do alto do 3° andar, bem no átrio daquele templo de consumo: "- Graças a Deus, não preciso de nada disso aí!". E remendava, diante do espanto: "- ... mas quero muitas coisas!". O alívio era imediato.
Somos seres do desejo, além de animais necessitados. Para além da satisfação do que chamarei de necessidades instintivas (alimento, abrigo, oxigênio, sono, etc.) o ser humano se constitui como tal por ser desejante. Não nos basta conseguir sobreviver, queremos mais e mais. É o que Freud chamou de pulsão, o correlato psíquico dos instintos.
A pulsão busca a satisfação por qualquer meio, custe o que custar, "o que quero é gozar", diria o puro impulsivo. Assim agem as pessoas impulsivas que, diante de um obstáculo ou mobilizados pela força pulsional, avançam sobre a presumida fonte de sua satisfação e se mostram agressivas e sem controle diante de qualquer frustração.
O desejo, porém, é um refinamento e o ser desejante diria: "- O que quero é gozar... de uma certa maneira!". É mais ou menos a diferença entre a fome e o apetite. O apetite nos propicia a escolha por determinado alimento, o requinte, a espera, o adiamento da satisfação. A pulsão sexual, por exemplo, poderia ser satisfeita por qualquer objeto sexual. Já o ser-desejante escolhe a parceria por razões puramente individuais e, sempre, inconscientes. Isso, irônicamente, explica tantas escolhas errôneas - ou incompreensíveis ao senso comum - de parceiro(a)s! Aqui aparece o que chamamos amor (!?).


O que causa o desejo é, portanto, algo que não se vislumbra objetivamente, ou seja, um objeto perdido, faltoso, A FALTA!
Ah, bom! assim é possível entender as razões do jovem suicida: se nada lhe falta (é lógico que se trata de uma percepção totalmente enganosa), então o desejo morre e o sujeito sucumbe: "Sem tesão não há solução", diria o terapeuta-escritor Roberto Freire.
O deus-Mercado tem-se esmerado em oferecer objetos para a satisfação dos consumidores, lançando novidades, gadgets, quinquilharias; a Ciência promete juventude eterna; a Indústria do Entretenimento derrama sexo-drogas-rock'n roll sobre corações e mentes e os bichinhos humanos correm como ratinhos de laboratório atrás das migalhas... alguns correm a vida inteira; mais alguns impulsivos buscam compulsivamente adquirir tudo e cada vez mais; outros,
enfim, se cansam de tanta oferta e caem no tédio - depressão, desinteresse por tudo, anorexia, auto-extermínio.
É necessário recuar diante de tanta oferta, buscando descobrir o próprio desejo - o que não é fácil, irmão. "

Artigo gentilmente escrito por Cláudio Costa - psiquiatra, psicanalista e blogueiro

Agradecimento

Queria desde já agradecer ao Jornal do Blogueiro por amavelmente nos indicar como destaque semanal. Além desta referência uma palavra de aprezo aos blogs Tou na lua, Lusofolia, Clube De Mulheres, Sem Qualquer Nexo,JornaBlogar, Crónicas de uma boa Malandra, Luz e Sombra, Kotações e o Blog Sem Senso Comum pelos seus links. A partir deste momento este blog terá também uma secção de links das quais constarão links com ligação recíproca assim como blogs que a equipa considere interessantes e se enquadrem na divulgação de informação que este blog tenta manter.
A todos os meus agradecimentos!

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Procrastinação

A procrastinação (derivada do latim: procrastinatiõne) consiste no acto de adiar tarefas constantemente, assim como numa incorrecta ordenação de prioridades, colocando aquelas com menor índice de importância primeiro que outras munidas de maior importância para o indivíduo no momento, como a realização de um trabalho ou o estudo para uma frequência.
Aquilo que o senso comum apelida normalmente de preguiça pode-se tratar na realidade de procrastinação, dependendo do comportamento manifestado pelo indivíduo, comportamento esse que, em casos extremos, afecta auto-estima, desempenho escolar ou laboral, interacção social assim como saúde física e mental.
Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se não for sujeito a forças, a procrastinação é, essencialmente, inibidora do surgimento dessas mesmas forças levando o indivíduo a um estado de inércia, o que obviamente afecta a sua vida pessoal.

Como causas deste tipo de comportamento podemos encontrar correlações com:
  • Má gestão do tempo
  • Condições Fisicas
  • Condições Ambientais
  • Ansiedade em situações de avaliação
  • Ansiedade relativamente a expectativas sociais
  • Crenças e Comportamentos não adaptativos
  • Medo do Fracasso
  • Baixa Tolerância à Frustação
  • Etc..

Um dos exercícios que o procrastinador pode aplicar em si mesmo de modo a tentar combater este adiamento de tarefas é uma espécie de auto análise que consiste em escrever num papel as vantagens de adiar a tarefa, e posteriormente escrever as desvantagens. Após uma breve ponderação o sujeito é capaz de compreender o comportamento erróneo.

Mais tarefas são incitadas no procrastinador tais como: planeamento rígido de tarefas, estruturação específica e detalhada de objectivos, a quebra gradual da inércia, racionalidade durante o conflito interno que leva ao adiamento ou não da tarefa, fornecer auto reforços positivos quando se atinge um objectivo e o assimilar de métodos de controlo e gestão do tempo até que se tornem rotineiros.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Interactividade

O Blog Do Conhecimento, encontra-se disponível, como sempre se encontrou e sempre se encontrará, para receber textos da autoria dos seus leitores de modo a serem publicados neste espaço. Os artigos não serão submetidos a qualquer tipo de censura, no entanto só serão publicados se se enquadrarem no espírito incutido nesta equipa de troca de conhecimento, ou a disponibilização online de informação que leve os seus leitores a quererem saber mais sobre determinado assunto, já que nenhum de nós tem a pretensão de ensinar tudo sobre uma matéria mas sim incutir curiosidade e motivação para temas que nos dizem respeito a todos.
Esperando a vossa participação eu me despeço respeitosamente.

Os artigos devem ser enviados para het@netvisao.pt

sábado, dezembro 04, 2004

Flores Man

Ao contrário da fraude que foram os cadáveres gigantes encontrados na Arabia Saudita foi noticiado há pouco tempo uma descoberta que vem revolucionar alguns conceitos da evolução humana, assim como dar mais validez à teoria de Darwin sobre evolução e adaptação dos seres vivos, conforme o meio em que se encontram e todo o tipo de características do terreno (comida, fornecimento de água, espaço, etc), mas desta vez foi encontrada a aplicação dessa teoria em seres humanos.
Como noticiado pela Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas a nível mundial, foram descobertos na Indónesia 8 cadáveres de uma espécie humana completamente diferente que devido às suas características foram apelidados de "hobbits", já que possuem aproximadamente um metro de altura e um terço do tamanho craniano do homem actual, sendo datados de há cerca de 18 000 anos, o que indica terem coexistido com o homo sapiens.

Mais sobre esta descoberta fantástica que nos faz compreender aquilo que o ser humano é realmente: um ser vivo com as suas características específicas capaz de se adaptar ao ambiente que o circunda, assim como qualquer ser vivo que habite connosco este planeta, com a diferença de nós "termos a mania" que somos superiores graças a crenças antigas e ultrapassadas.

domingo, novembro 21, 2004

Mito do 10% a funcionamento cortical

"Mitos nos quais se acredita tendem a se tornar verdade." --- George Orwell (em The Collected Essays, Journalism, and Letters of George Orwell, vol. 3, edited by Sonia Orwell and Ian Angus, New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1968, page 6)

Aquilo que se propaga muito nesta sociedade, mesmo sem base científica alguma, passa a ser uma verdade absoluta. É o denominado senso comum.Um desses exemplos constata-se em várias pessoas ao afirmarem que o ser humano apenas usa 10% do seu poder cortical.Vou tentar escrever este post para elucidar esse equívoco.Primeiro que tudo há que explorar o início do mito. Este mito tem origem, provavelmente, numa interpretação errada de uma citação de Albert Einstein ou ainda de uma interpretação errada do trabalho de William James que escreveu em 1908 : "We are making use of only a small part of our possible mental and physical resources" (from The Energies of Men, p. 12), sabe-se que muitas pessoas desfocam as teorias à sua maneira.Agora vamos às provas fisiológicas da impossibilidade desta percentagem: para qualquer entendido em topografia cerebral é óbvia esta impossibilidade mas vou tentar explicar isto de uma maneira simples. O cérebro humano possui áreas específicas para tarefas específicas como a recepção de estímulos somato sensoriais, outra área para associar esses estímulos a dor,prazer ou seja associar estímulos a mapas sensoriais, e uma terceira área que integra essa informação com informações resultantes de outras áreas cerebrais tais como o córtex visual ou auditivo, permitindo assim integrar toda a informação recorrendo a imagens e sons.Pode-se comprovar que o cortéx auditivo se encontra no lobo temporal, o córtex visual no lobo occipital e o córtex somato sensorial a nivel do lobo parietal. Além destas áreas específicas existe o lobo frontal responsável pelo denominado pensamento e inteligência humana, sendo extremamente importante no pré planeamento e pré execução de tarefas. Existe também um número elevado de núcleos situados numa posição medial e no tronco cerebral que são, entre outras coisas, muito importantes no sono e em despertar desse sono, na coordenação dos movimentos, a denominada motricidade fina entre muitas funções importantes que permitem a homeostasia corporal e biológica de todos os índíviduos.10% de um cérebro significa que apenas 140 gramas do nosso encéfalo seria usado, já que a média do peso de um encéfalo humano é de 1400 gramas. Com essas 140 gramas seria de todo impossível albergar as funções referidas em cima, já para não falar de um sem número de funções e estruturas que o cérebro possui além destas mas não queria que este fosse um post com informação massiva e de algum modo elaborada.Com 140 gramas teriamos um encéfalo igual a de uma ovelha, e sinceramente, não vejo uma ovelha com as capacidades intelectuais caracterizadoras do ser humano. Se lhe disserem que o ser humano usa apenas 10% do cérebro responda-lhe com toda a certeza: Mentira, usamos 100% do cérebro, (muitas vezes das maneiras mais erradas e desperdiçando uma das maiores maravilhas da evolução)

Uma sugestão

Não tenham receio de usar o nosso fórum para colocar questões ou mesmo responder a outras, é uma das formas mais interactivas de participação e troca de conhecimentos e experiências, que pode ser feita tanto atrás de um nome não real como de um bem identificado. É só se registarem e escreverem aquilo que gostariam de saber ou aquilo que sabem, ou mesmo apenas para trocar umas palavras amigáveis (ou críticas construtivas) com os autores. Participem.

Fenomenal - "leadership"

The Qualities of Skillful Leadership
by Jim Rohn

If you want to be a leader who attracts quality people, the key is to become a person of quality
yourself. Leadership is the ability to attract someone to the gifts, skills, and opportunities you
offer as an owner, as a manger, as a parent. I call leadership the great challenge of life.
What's important in leadership is refining your skills. All great leaders keep working on
themselves until they become effective. Here are some specifics:

1) Learn to be strong but not rude. It is an extra step you must take to become a powerful,
capable leader with a wide range of reach. Some people mistake rudeness for strength. It's
not even a good substitute.

2) Learn to be kind but not weak. We must not mistake kindness for weakness. Kindness isn't
weak. Kindness is a certain type of strength. We must be kind enough to tell somebody the
truth. We must be kind enough and considerate enough to lay it on the line. We must be kind
enough to tell it like it is and not deal in delusion.

3) Learn to be bold but not a bully. It takes boldness to win the day. To build your influence,
you've got to walk in front of your group. You've got to be willing to take the first arrow,
tackle the first problem, discover the first sign of trouble.

4) You've got to learn to be humble, but not timid. You can't get to the high life by being
timid. Some people mistake timidity for humility. Humility is almost a Godlike word. A
sense of awe. A sense of wonder. An awareness of the human soul and spirit. An
understanding that there is something unique about the human drama versus the rest of life.
Humility is a grasp of the distance between us and the stars, yet having the feeling that we're
part of the stars. So humility is a virtue; but timidity is a disease. Timidity is an affliction. It
can be cured, but it is a problem.

5) Be proud but not arrogant. It takes pride to win the day. It takes pride to build your
ambition. It takes pride in community. It takes pride in cause, in accomplishment. But the
key to becoming a good leader is being proud without being arrogant. In fact I believe the
worst kind of arrogance is arrogance from ignorance. It's when you don't know that you don't
know.
Now that kind of arrogance is intolerable. If someone is smart and arrogant, we can
tolerate that. But if someone is ignorant and arrogant, that's just too much to take.

6) Develop humor without folly. That's important for a leader. In leadership, we learn that it's
okay to be witty, but not silly. It's okay to be fun, but not foolish.
Lastly, deal in realities. Deal in truth. Save yourself the agony. Just accept life like it is. Life
is unique. Some people call it tragic, but I'd like to think it's unique. The whole drama of life
is unique. It's fascinating. And I've found that the skills that work well for one leader may not
work at all for another. But the fundamental skills of leadership can be adapted to work well
for just about everyone: at work, in the community, and at home.


O amor pela Sabedoria

Ola companheiros de viagem

Sabendo de antemão que a ignorância é uma dor da qual todos tentamos fugir, a minha consciência obriga-me a ler procurarando um analgésico, analgésico esse que encontra na leitura.

Em concordância com esse objectivo surge este blog que tem um papel fundamental não só para eu aprender com os outros mas também para dar a conhecer determinados temas. Alguns temas esses surgem por uma desmesurada e incompreesnsivel curiosidade; outros por uma mera necessidade.

Assim deixo alguns temas que me têm suscitado algum interesse, em parte devido à necessidade...

Peço desculpa por alguns serem em inglês, mas penso que o conteúdo, por si só, é suficiente para perdoar a falha de não ser na nossa lírica lingua Portuguesa.

Sempre em busca do conhecimento
Essa longa viagem

Boato


«Boatos: o meio de comunicação mais velho do Mundo»

O boato é um fenómeno que se manifesta particularmente em situações de crise ou de falta de informação.
À partida, o processo de formação de um boato ocorre involuntariamente. O boato origina-se nas primeira trocas de comunicação entre indivíduos. A comunicação estabiliza-se na 6ª
transmissão. O boato não tem feedback. Nunca se consegue chegar junto da fonte que o originou. A fonte aparece com credibilidade mas não se consegue identificar quem é.
Ingredientes para a formação de um boato
• Deverá ser um assunto interessante para um número alargado
de pessoas (morte, paixão, doenças, catástrofes, figuras
públicas, etc.);
• Ambíguo, que possibilite diferentes interpretações.
Matérias que gerem ansiedade propagam-se com maior rapidez. Mecanismos psicológicos que ocorrem entre a informação que dá origem ao boato e ao boato propriamente dito
• Nivelamento;
• Estimulação;
• Assimilação.
Nivelamento
À medida que o boato circula vai comportando cada vez menos palavras até atingir uma forma estereotipada em que permaneça inalterado.
Estimulação
Consiste na selecção de um número limitado de pormenores, escolhidos devido ao seu carácter insólito, e consiste, ao mesmo tempo, no exagero desses mesmos pormenores e na sua adaptação ao presente.
Assimilação
Apoia-se nas paixões de quem escuta, ou seja, apresentam-se as coisas como as pessoas estão habituadas a vê-las. A assimilação é feita através da lógica de cada um, dos preconceitos e interesses.
Essência do rumor
A essência do rumor ou do boato, consiste numa persuasão que nasce da própria actividade de transformação da notícia original feita em função das representações sociais. Lei básica do boato de Allport A quantidade de rumor varia segundo a importância do assunto, multiplicada pela ambiguidade do tema.
Desmentido
Para desmentir um boato, deve-se tentar chegar o mais perto possível da origem de forma a aí actuar com mais força. Se algo originou o boato, então existe uma razão para tal.
Ralph Rosnow
«O boato é uma espécie de hipótese, uma especulação que ajuda as pessoas a darem sentido a uma realidade caótica ou que lhes faculte um ténue sentimento de controlo sobre o mundo
ameaçado.»
Kinnel
«Quanto mais as pessoas se assustam com um boato, mais o apregoam.»

PÚBLICO, MASSA E MULTIDÃO



"É uma grande desgraça não poder estar só"
LA BRYÈRE citado por EDGAR ALAN POE

Em 1840, o escritor norte-americano Edgar Alan Poe publicou um texto, depois
classificado pelos organizadores de suas obras completas como conto filosófico. "O Homem
das Multidões" é narrado por um homem que vai a Londres fazer um tratamento de saúde e se
diverte observando, do saguão do hotel, a multidão que passa na rua.
No começo, o narrador vê apenas uma massa indistinta. Em breve, porém, desce aos
detalhes e consegue ver padrões de roupas, comportamentos, jeitos de andar. Vários públicos
se descortinam à sua frente: escreventes, homens de negócio, advogados, homens de lazer...
À certa altura, um homem chama sua atenção. É um velho entre 60 e 70 anos. Sua
fisionomia apresenta um misto de triunfo, alegria, terror e desespero.
A impressão causada pelo personagem é tão forte, que o narrador passa a segui-lo. O
homem envereda pela rua repleta de gente e, chegando à praça, passa a andar em círculos,
confundindo-se com a multidão. Quando o fluxo diminui, o velho se sente angustiado e procura
outra multidão. A narrativa acompanha durante toda a noite sua busca por agrupamentos
humanos.
No final, o escritor o abandona com um comentário: "Esse velho é o tipo e o gênio do
crime profundo. Recusa estar só. É o homem das multidões. Seria vão segui-lo, pois nada
mais saberei dele, nem de seus atos. O pior coração do mundo é mais espesso do que o
Hortulus Animae e talvez seja uma das grandes misericórdias de Deus o fato de que ele
jamais se deixa ler".
Em "O Homem das Multidões", Edgar Alan Poe antecipou em muitos anos a discussão
sobre a sociedade de massa.
O século XIX viu aparecer um novo tipo de agrupamento humano. Antes a regra eram
pequenas vilas, nas quais todo mundo se conhecia e se relacionava. O processo de
industrialização forçou uma grande quantidade de pessoas a se deslocarem para grandes
centros nos quais as pessoas não se conheciam e não tinham qualquer relacionamento mais
íntimo.
A aglomeração maciça de seres humanos forçou o contato pessoal com pessoas
desconhecidas, muitas das quais permanecerão sempre desconhecidas. Não conhecemos o
homem que nos vende alimentos e a moça do correio é apenas mais uma funcionária postal.
O homem moderno está rodeado de gente, mas é solitário.
Essa nova realidade tornou patente um novo tipo de comportamento, que não era
individual, mas coletivo. Para explicá-los surgiu a psicologia das massas.
Dois pioneiros dessa nova disciplina foram o italiano Scipio Sieghele e o francês
Gustav Le Bom.
Sieghele escreve A Massa Criminosa, no qual analisa os crimes coletivos, como
revoltas e lichamentos, e conclui que não há como indicar culpados. Os que são incriminados
são sempre bodes-expiatórios, pois é sempre impossível determinar um culpado no meio da
multidão.
Sieghele trabalha o conceito de multidão como agrupamento geográfico e resultado de
uma sugestão, como se seus integrantes estivessem sonâmbulos, hipnotizados. Em toda
multidão há condutores e conduzidos, hipnotizadores e hipnotizados. O autor italiano foi um
dos primeiros a perceber a importância dos meios de comunicação de massa nesses novos
tipos de comportamento. Para ele, a imprensa seria uma manipuladora da massa.
Para Gustav Le Bon, a civilização estava em perigo com a emergência das massas.
Os líderes políticos do século XX seriam aqueles capazes de manipular as mesmas através da
mídia (uma profecia acertada, se lembrarmos de Hitler, Mussolini e Getúlio Vargas).
O pensador Gabriel Tarde discordou desse ponto de vista, argumentando que a massa
é geográfica e o publico é formado socialmente. Para ele, a imprensa estava criando públicos,
ao permitir que pessoas distanciadas geograficamente pudessem partilhar idéias.
Os pensadores contemporâneos perceberam a dificuldade em se trabalhar com os
conceitos de multidão e massa de maneira conjunta e resolveram separá-los. Assim, há três
tipos de comportamentos coletivos.
O primeiro deles, e o mais primário, é a multidão. Sua origem é biológica e remonta aos
tempos em que o homem passou a viver em sociedade.
Na multidão, os integrantes são comandados pela ação de ferormônios, hormônios
expelidos pelo corpo, que fazem efeito ao serem percebidos olfativamente.
Todos que estiverem no campo de ação dos ferormônios são contagiados e passam a
agir como uma só pessoa, de forma irracional. É o caso de linchamentos, revoltas e tumultos
em locais repletos de gente. É comum, por exemplo, que em casos de incêndio em casas de
shows morram mais pessoas pisoteadas do que em decorrência do fogo.
A criação de uma multidão passa por quatro estágios.
No primeiro deles, há um acontecimento emocionante (a informação de que um
estuprador foi preso, um trem de subúrbio que deixa de funcionar justamente na hora em que
os trabalhadores voltam para casa).
No segundo, há uma "moedura": os indivíduos se encontram, se chocam, começam a
trocar ferormônios.
No terceiro, surge uma imagem, uma idéia de ação, a exaltação coletiva é direcionada
para um objetivo (lichar o criminoso, quebrar o trem).
Finalmente, no quarto estágio, a multidão, já totalmente dominada pelos ferormônios,
age.
Uma multidão é como um estouro de boiada: é impossível pará-la com a força ou com
a razão. Atirar adianta muito pouco, pois os que estão atrás empurram os que estão na frente,
até chegar aos seus atacantes.
Segundo Flávio Calazans, só há duas maneiras de deter uma multidão: ou dando um
segundo objetivo a ela, ou jogando gás lacrimogêneo.
Os gás impede que as pessoas continuem recebendo os ferormônios umas das outras.
Por outro lado, a irritação nos olhos e a fumaça dão aos integrantes da multidão a impressão
de que estão sozinhos. Um indivíduo só age como multidão se tiver certeza de que está
incógnito. É a certeza de que seus atos individuais não serão percebidos que dá à multidão a
liberdade de agir. É por isso que são comuns as desordem em períodos de blecaute.
Dar um segundo objetivo também é eficiente, pois uma segunda proposta de ação leva
a multidão a pensar, e uma multidão que pensa deixa de ser multidão.
Em uma perspectiva fisiológica, a multidão seria um comportamento coletivo governado
pelo complexo R. Essa primeira camada de nosso cérebro é responsável pela autopreservação.
É aí que nascem nossos mecanismos de agressão e ações instintivas.
O comportamento de massa é uma novidade do século XIX e surge em decorrência do
processo de industrialização e desenvolvimento dos meios de comunicação de massa.
A massa age como multidão, de maneira irracional e manipulável. Mas não há
proximidade física. Não há ferormônios envolvidos.
Nos grandes centros, as pessoas estão isoladas, atomizadas, e a principal influência
acaba sendo os meios de comunicação de massa. É a multidão solitária.
A principal característica da massa é o pseudo-pensamento. A massa acredita que
pensa, mas só repete o que houve nos meios de comunicação de massa. Segundo Luiz
Beltrão, o poder massificante da sociedade é de tal ordem que o indivíduo se recusa a
acreditar que é apenas uma peça da engrenagem social e que suas idéias são idéias que lhe
foram implantadas pela mídia. Ao ser perguntado o porque de suas idéias, o integrante da
massa repetirá exatamente o que ouviu de seu apresentador de TV favorito. Ou então dirá
simplesmente: "É claro que é assim. Você não viu que saiu no jornal?" ou "mas todo mundo
gosta disso, por que você não gosta?"
Fisiologicamente, o comportamento de massa é identificado o complexo límbico, a
camada do cérebro característica de mamíferos e que governa o instinto de rebanho. Assim, a
aspiração máxima do integrante da massa é ser aceito pelos seus pares. Ele fará qualquer
coisa para se adequar e procurará repetir os outros em tudo. É o famoso Maria vai com as
outras.
O comportamento de massa fica claro em pessoas que têm ânsia de andar sempre na
moda. Vestir a roupa do momento é uma forma de não "estar por fora". Claro que quem ditará
o que é moda são os meios de comunicação de massa, que se aproveitam dessa necessidade
de rebanho, de aceitação social, para vender seus produtos e manipular a massa.
Como a massa não pensa, ela precisa de alguém que pense por ela, ela precisa de um
pai, que lhe diga o que fazer. Esse papel já foi exercido por líderes políticos, como Hitler e
Getúlio Vargas. Não é à toa que o ditador brasileiro era chamado de "pai dos pobres". Hoje
quem normalmente exerce essa função são figuras importantes da mídia, tais como
apresentadores de TV. Esse inclusive é um fator potencialmente perigoso da massa. Como
obedece cegamente aos impulsos recebidos pela mídia, a massa pode adotar um tom de
verdadeiro fanatismo contra qualquer um que ouse discordar de seus pontos de vista.
Como a massa não tem consciência de sua situação, ela é feliz, feliz como o gado na
engorda. Não é à toa que Zé Ramalho nos diz, em musica cantada como toada de boi: "Eh!
Oh! Oh! Vida de gado Povo marcado eh! Povo feliz...".
O homem das multidões de Poe era um homem-massa, incapaz de estar só, mas
também incapaz de criar relacionamentos profundos. Sua única aspiração era ser aceito pelo
grupo, mesmo que para isso precisasse sacrificar sua identidade. Poe o abandona dizendo
que de nada adiantaria continuar a segui-los, pois tudo que se poderia saber dele já se sabe.
A massa não tem é oca por dentro. São pessoas de palha, como definiu Ray Bradbury no livro
Fahrenheit 451, referindo-se às pessoas que assistiam à televisão.
A terceira forma de comportamento coletivo é o público. A palavra vem do latim
"publicus", que significa depois da adolescência. Ou seja, público é aquele que alcançou a
maturidade intelectual e psicológica.
A característica do público é ser racional e defender sua individualidade. Enquanto na
multidão, o indivíduo quer ser anônimo, enquanto na massa, quer ser igual aos outros, no
público ele quer ser ele mesmo.
O público não se deixa manipular e seus argumentos são frutos de um raciocínio
interior. O público defende tal ponto de vista porque refletiu sobre ele e chegou à conclusão de
que essa é a melhor idéia, e não porque alguém lhe disse. O comportamento de público é
governado pelo neocórtex, a camada mais recente do cérebro, que controla a linguagem
simbólica, a leitura, o cálculo, a criatividade e a crítica.
Em uma perspectiva junguiana, o público é aquele que passou por um processo de
individuação e tornou-se capaz de tomar decisões sozinhos, sem precisar de um pai que lhe
diga o que fazer.
Da mesma forma que a mídia cria massa, pode também ajudar a criar público. Listas
de discussão e sites como o Digestivo Cultural podem ser espaços privilegiado para que esses
compartilhem idéias e troquem informações. Da mesma forma, programas de televisão e
filmes podem criar uma consciência crítica em seus receptores.

Prof. Doutor Ivan Carlo

sexta-feira, outubro 29, 2004

A visão

O acto de ver parece banal para o normal dos seres humanos, é apenas mais um sentido aliado ao olfacto, ao tacto, à audição e paladar (além de outros menos conhecidos e mais específicos), mas a nossa visão guarda em si um sistema muito complexo que nos obriga a admirá-lo. O próprio olho em si é um elemento resultante de milhares de anos de evolução mas este post abordará em concreto como interagem as várias estruturas cerebrais durante o processo de ver.

Vou começar por exemplificar que aquilo que, por exemplo, o nosso olho direito vê é projectado bilateralmente, ou seja, a informação somática ou impulsos visuais de cada olho, individualmente, projecta-se nos dois hemisférios cerebrais, concretamente no córtex visual, que se encontra no lobo occipital. No entanto as informações referentes ao campo visual direito são projectadas contra-lateralmente, ou seja, no hemisfério esquerdo, assim como os inputs recebidos do campo visual esquerdo são recebidos no hemisfério direito. Para clarificar esta situação, de díficil compreensão numa primeira estância temos esta imagem.

Vamos tomar como exemplo o olho esquerdo do indivíduo, direito para quem vê a imagem desta perspectiva. Como podem constatar existem dois filamentos azuis, um refere-se à imagem nasal e outro à imagem temporal do olho esquerdo. Já que aquilo que vemos cruza-se no globo ocular a visão nasal corresponde àquilo que o olho esquerdo vê para o extremo do lado esquerdo e a visão temporal do olho esquerdo corresponde àquilo que esse olho vê numa direcção mais orientada para a direita como exemplificado na figura.
Por este raciocínio a visão nasal do olho direito e a visão temporal do olho esquerdo formam o campo visual direito enquanto que a visão nasal do olho esquerdo e a visão temporal do olho direito formam o campo visual esquerdo. Seguindo os filamentos de cor é possível constatar-se porque os campos visuais são projectados contra lateralmente. De realçar também que esta informação é levada pelo nervo óptico, cruza-se no quiasma óptico, passa pelos núcleos geniculados laterais e finalmente chega ao córtex visual, situado no lobo occipital, ou parte posterior do cérebro, posterior tendo em conta uma perspectiva frontal do sujeito.

Para não tornar este post maçador vamos fazer uma pequena experiência que remete para a integração dos dois campos visuais numa só imagem.
Junte os dois dedos indicadores em frente aos olhos a uma distância de aproximadamente 10 centimetros desta maneira ---><---, tendo como fundo uma parede ou algo semelhante e os dedos à sua frente começe a focar a parede do fundo e afaste ligeiramente os dedos indicadores um do outro. Consegue reparar num dedo flutuante?

quarta-feira, outubro 06, 2004

Procura-se

Procuram-se colaboradores das mais variadas áreas que possuam um mínimo de interesse e motivação em transmitir conhecimento útil para o quotidiano de cada um de nós ou simplesmente para satisfazer algumas curiosidades.
Procura-se alguém ciente de que um grupo de pessoas bem organizado pode fazer muito por uma sociedade, principalmente a portuguesa que prefere observar pseudo vedetas/celebridades a passear por uma quinta a dizer as maiores barbaridades possíveis e imaginárias em vez de procurar algo que lhes seja útil e passível de melhorar a sua qualidade de vida.
Procura-se alguém que retire prazer em combater o obscurantismo e a ignorância em que vários elementos da sociedade nos tentam afundar.
Procura-se alguém que queira marcar a diferença, quer seja por actos, quer seja por palavras.
Se reunes estes requisitos envia um mail para het@netvisao.pt.
É preciso alguém que partilhe o seu conhecimento, e no processo queira adquirir mais. É necessário alguém que não perca a sua motivação durante todo esse processo.
Este espaço pode ser teu para atingires o objectivo de informar aqueles que têm a curiosidade de questionar, aqueles que pesquisam para seu próprio bem estar, aqueles que pesquisam para tentar responder a perguntas que dificilmente se encontrará resposta e mesmo para deixares alguém a pensar.
O convite está lançado.

segunda-feira, setembro 27, 2004

A Perda de um Medo

Estudo realizado com ressonância magnética mostra regiões cerebrais activas neste processo!

Cena de Psicose, filme de 1960 de
Alfred Hitchcock (foto: reprodução)


Pesquisadores da Universidade de Nova York descobriram como funciona o cérebro humano quando perdemos o medo de algo. Mais do que um mero esquecimento desse medo, o que ocorre é uma aquisição de conhecimento: o cérebro aprende o não-medo.
O estudo revelou pela primeira vez detalhes das regiões cerebrais mais activas neste processo. Duas áreas estão envolvidas: uma pequena estrutura chamada amígdala, que constitui a chave para aprender o medo e o seu 'esquecimento', e uma região ligada a ela, o córtex pré-frontal, provavelmente essencial para memorizar a perda do medo.
Os pesquisadores submeteram voluntários a uma experiência muito simples: eles observavam num monitor, quadrados amarelos e azuis em diferentes sequências. Em algumas aparições da figura azul, os participantes recebiam um choque aplicado por um eléctrodo.
"Os voluntários aprenderam que essa cor significava um choque em potencial, enquanto o amarelo indicava que a descarga eléctrica não ocorreria", explica o neurocientista brasileiro Mauricio Delgado, pesquisador da Universidade de Nova York. Radicado nos Estados Unidos há 17 anos, Delgado é um dos quatro autores do estudo, publicado em 16 de setembro na revista Neuron.
Antes do teste, foi permitido aos voluntários estabelecer o nível da descarga eléctrica que iriam receber para que fosse apenas desconfortável e não doloroso. Delgado explica que o medo dos quadrados azuis, associado à concretização da experiência indesejada -- o choque recebido em algumas aparições daquela figura -- activava no cérebro dos participantes a área da amígdala.
No mesmo dia em que o medo havia sido adquirido, os voluntários foram submetidos a uma nova sessão de testes -- desta vez, para avaliar como reagiam à extinção do medo. O mesmo exame foi aplicado, mas quando o quadrado azul aparecia, não havia descarga eléctrica. Uma nova sessão de testes sem qualquer choque foi realizada no dia seguinte.
O cérebro dos voluntários foi monitorado durante as sessões por um aparelho de ressonância magnética. O aumento de actividade na amígdala já era esperado pelos pesquisadores, devido ao resultado de estudos anteriores. O que surpreendeu a equipa foi o padrão de activação dessa região nos casos em que a ausência do choque era associada ao quadrado. "A amígdala codificou informações sobre o evento e alterou a resposta quando o novo dado se encontrou disponível e, assim, considerou o seu esquecimento como uma aquisição de conhecimento", afirmam os pesquisadores no artigo.


Segundo os cientistas, a actividade no córtex pré-frontal sugere que ele está associado à assimilação da extinção do medo. "Entender como o medo é adquirido é um passo importante para desenvolver tratamentos para fobias relacionadas a desordens como ansiedade e stress pós-traumático", ressalva Delgado. "No entanto, compreender como os medos são reduzidos pode ser ainda mais precioso."
Os pesquisadores destacam que os resultados podem servir de base para aperfeiçoar um modelo do mecanismo de apreensão do medo e o seu esquecimento, que permitirá avaliar se esse processo funciona da mesma forma em diferentes espécies.

sábado, setembro 25, 2004

Esquizofrenia

A esquizofrenia é uma das patologias menos entendidas no panorama da saúde e doenças mentais, sendo também uma das mais confusas e bizarras.
Cerca de 1% da população mundial sofre de esquizofrenia durante a sua vida e apesar de se distribuir de forma equalitária entre sexos, ocorre prematuramente nos homens, normalmente durante a adolescência recente ou na faixa etária que circunda os 20 anos enquanto que nas mulheres a patologia, geralmente, manifesta-se mais tarde.
Mas indo de encontro ao grosso da questão a esquizofrenia é caracterizada por alucinações sofridas pelo indivíduo, vendo pessoas que ninguém mais consegue ver, ouvindo-as, tocando-as e sentindo todos os estímulos inerentes ao toque que consideramos verdadeiro.
Na grande maioria dos casos estas alucinações são responsáveis por histórias complexas que são incutidas na vida pessoal do indivíduo, como conspirações ou missões divinas.
Esta patologia começa a manifestar-se em sintomas como: estado de tensão do indivíduo, falta de concentração e de sono, levando a um retiro e isolamento social. Conforme a patologia progride os comportamentos são cada vez mais estranhos falando em coisas sem nexo e vivendo percepções incomuns.
Em alguns pacientes, as técnicas de mapeamento cerebral por imagens revelaram menor actividade cerebral no córtex pré-frontal e em alguns casos perdas reais de tecido, particularmente nas amígdalas-hipocampo, no lado esquerdo do cérebro. O córtex pré-frontal do cérebro afecta a memória, razão, agressividade e fala significativa; a actividade reduzida nesta área pode causar sintomas negativos. A área diminuída dos lobos temporais do cérebro e áreas límbicas que são relacionadas às emoções, parecem estar ligadas aos sintomas positivos, tais como ouvir vozes.

Alguns especialistas acreditam que a esquizofrenia se origina de uma desordem rara nos neurotransmissores (mensageiros químicos entre as células e o sistema nervoso). Um possível elo entre as anormalidades cerebrais e o desenvolvimento da esquizofrenia envolve o transporte de dopamina pelo neurotransmissor. A dopamina foi investigada por muitos anos, observando-se a princípio que certas drogas que reduzem a acção de dopamina no cérebro também reduzem os sintomas psicóticos. Por outro lado, drogas que aumentam a actividade da dopamina aumentam estes sintomas ou agravam a esquizofrenia. Esta pesquisa foi centralizada em receptores (moléculas nas células que se unem a outras moléculas) de dopamina, particularmente D1 (dopamina) e D2. Os estudos de imagem mostraram uma hiperactividade da dopamina nas partes do cérebro onde se parecem localizar os sintomas psicóticos. Em esquizofrénicos, o lado esquerdo do cérebro tende a ter concentrações mais altas de dopamina que o direito, o que provavelmente, não é devido a uma superprodução de dopamina mas a um aumento dos receptores químicos que atraem e fixam a dopamina em partes do cérebro que foram deterioradas. A pesquisa revelou também baixa actividade de receptores de dopamina, D1, ocorrendo no córtex pré-frontal do cérebro, o que pode ser relacionado a sintomas negativos. Actualmente, os especialistas sugeriram que um equilíbrio anormal de dopamina, e não só a hiperactividade, são gatilhos para a síndrome da esquizofrenia e outros transmissores e químicas do cérebro continuam sendo objecto de estudos, tais como os níveis baixos de aminoácido glicídio encontrado nos cérebros de pessoas com esquizofrenia, dirige-se a pesquisa aos possíveis mecanismos e tratamentos relacionados a esta substância. Novos estudos indicam que os pacientes tendem a ter anormalidades protéicas no efeito reparador estrutural em função das células nervosas; duas destas proteínas que estão a ser investigadas são a ESTALO-25 e alfa-fodrin.

Estudando a fundo a esquizofrenia e vendo aquilo por que estes indivíduos passam, mais concretamente as alucinações que o seu cérebro entende como verdadeiras provocando no seu corpo todas as acções como se estivessem a viver uma situação real é caso para perguntar: o que é a realidade afinal? É algo que a maioria tem como certo ou algo que o nosso cérebro nos quer fazer pensar que é realidade? Será aquilo que vivemos mesmo real ou ilusões despoletadas e apoiadas pelas funções fisiológicas inerentes ao nosso sistema cortical? Fica a questão no ar!

Ecstasy

Uma outra droga ainda em voga

Ecstasy

Nomes de Rua: MDMA, Adam...

Apresentação
Chamada droga de recreio ou droga de desenho, o Ecstasy é uma droga de síntese pertencente à família das fenilaminas. As drogas de síntese são derivados anfetamínicos com uma composição química semelhante à da mescalina (alucinogéneo). Desta forma, o Ecsatsy tem acção alucinogénea, psicadélica e estimulante.
É, geralmente, consumido por via oral, embora possa também ser injectado ou inalado. Surge em forma de pastilhas, comprimidos, barras, cápsulas ou pó. Pode apresentar diversos aspectos, tamanhos e cores, de forma a tornar-se mais atractivo e comercial. Esta variabilidade abrange também a composição das próprias pastilhas, o que faz com que, muitas vezes, os consumidores não saibam exactamente o que estão a tomar.
Existem outras drogas de desenho entre as quais e podem referir o MDA ou o MDE e que apresentam nomes de rua como a pílula do amor, eva, etc.
O Ecstasy actua mediante o aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro. A serotonina parece afectar a disposição, o apetite e o sistema que regula a temperatura corporal. Não se conhecem usos terapêuticos para esta substância, embora tenha sido experimentada, antes da sua ilegalização, em contextos de terapia de casal e psicoterapia pelos seus efeitos entactogénicos.
Origem
O MDMA foi descoberto antes das anfetaminas ou dos alucinogéneos. Em 1912, os laboratórios alemães Merck isolaram acidentalmente o MDMA (MetileneDioxoMetaAnfetamina) e em 1914 patentearam-no como inibidor do apetite, o qual não chegou a ser comercializado. Só nos anos 50 é que, com fins experimentais, foi utilizado pela polícia em interrogatórios e em psicoterapia.
Nos anos 60 e 70 conseguiu grande popularidade entre a cultura underground californiana e entre os frequentadores de discotecas, o que levou à sua proibição em 1985. Foi baptizado com o nome de Ecstasy (XTC) pelos vendedores como uma manobra de marketing.
Na Europa, nos finais dos aos 80, o seu consumo aumentou, como se pode verificar, por exemplo, pelo número de pastilhas apreendidas pelas autoridades espanholas: 4.325 em 1989 e 645.000 em 1995. Este alargamento na Europa está também associado à queda do muro de Berlim e ao descontrolo político de alguns dos países do Leste europeu, onde a indústria farmacêutica está fortemente implantada. O Ecstasy foi inicialmente consumido em Ibiza e nos países do mediterrâneo, no contexto da noite e da música electrónica. O consumo espalhou-se, mais tarde, até à Inglaterra e Holanda, onde surge a nova cultura da rave entre os jovens.
Efeitos
Os primeiros efeitos surgem após 20-70 minutos, alcançando a fase de estabilidade em 2 horas. Diz-se que o MDMA pode combinar os efeitos da cannabis (aumento da sensibilidade sensorial e auditiva), os das anfetaminas (excitação e agitação) e ainda com os do álcool (desinibição e sociabilidade). Para além disso, pode oferecer uma forte sensação de amor ao próximo, de vontade de contacto físico e sexual.
O Ecstasy pode provocar uma sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da percepção de sensualidade, aumento da capacidade comunicativa, loquacidade, euforia, despreocupação, autoconfiança, expansão da perspectiva mental, incremento da consciência das emoções, diminuição da agressividade ou perda da noção de espaço.
A nível físico pode ocorrer trismo (contracção dos músculos da mandíbula), taquicardia, aumento da pressão sanguínea, secura da boca, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, dificuldade em caminhar, reflexos exaltados, vontade de urinar, tremores, transpiração, cãibras ou dores musculares.
Os efeitos desaparecem 4 a 6 horas após o consumo. Podem ocorrer algumas consequências residuais nas 40 horas posteriores ao consumo.
Riscos
A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, deterioração da personalidade, depressão, ansiedade, ataques de pânico, má disposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insónia. Estas consequências podem ainda ser acompanhadas de arritmias, morte súbita por colapso cardiovascular, acidente cérebro-vascular, hipertermia, hepatotoxicidade ou insuficiência renal aguda.
O consumo de ecstasy e a actividade física intensa (várias horas a dançar) pode provocar desidratação e o aumento da temperatura corporal (pode chegar a 42º C), o que por sua vez pode levar hemorragia interna. A desidratação e a hipertimia têm sido causa de várias mortes em raves. A hipertimia pode ser reconhecida pelos seguintes sinais: parar de transpirar, desorientação, vertigens, dores de cabeça, fadiga, cãibras ou desmaio. Como forma de precaução, aconselha-se a ingestão de água. No entanto, a ingestão excessiva de água pode também ser perigosa (a intoxicação de água pode ser fatal).
É de referir que esta droga é frequentemente falsificada e substâncias como as anfetaminas, a ketamina, o PCP, a cafeína ou medicamentos são vendidos com o nome de ecstasy.
Tolerância e Dependência
O desenvolvimento de tolerância pode ser favorecido pelo uso contínuo do ecstasy. A dependência psicológica pode verificar-se mas não existem dados conclusivos relativamente à dependência física.

A responsabilidade da Informação é do site

Ketamina

Por uma questão de saúde pública:

Não Tomes Drogas mas se tomares toma conscientemente
e
Conhece os perigos Que poderás Enfrentar

Hoje começamos com a Ketamina
Nomes de Rua: K, special K

Apresentação
A ketamina é um poderoso anestésico dissociativo que se encontra sob a forma de pó branco, líquido ou tablete e que é consumido por via oral, inalada ou injectada. A sua posse não é ilegal, dado que é prescrita por médicos.
A K ou special K, como é chamada pelos seus consumidores, é uma droga psicadélica derivada da fenciclidina. Parece deprimir selectivamente a função normal de associação do córtex e tálamo, aumentando a actividade do sistema límbico e produzindo um efeito analgésico e amnésico.
Origem
A ketamina foi produzida em 1965 pelos laboratórios Parke & Davis como um anestésico para uso humano (cirurgias) e, principalmente, veterinário. Foi utilizada no Vietnam para diminuir a dor dos feridos.
Começou a ter funções recreativas nos anos 70, muito associado à cultura Gay, sendo depois integrada nos contextos de festas rave.
Efeitos
A ketamina, cujos efeitos duram cerca de uma hora, pode produzir sensações de não pertença ao corpo, entorpecimento, alucinações profundas, visão em túnel, dificuldade em controlar movimentos e sentimentos, distorção do sentido de tempo e de identidade, sensação de distorção do corpo, experiência próxima da morte (a sensação de caminhar num túnel em direcção a uma luz brilhante), sensação de sufocar, amnésia ou delírio. Para além disso, podem ainda ocorrer vómitos, náusea, diarreia, baixa de temperatura, deterioração da função motora, coma e problemas respiratórios potencialmente mortais.
Riscos
Pode provocar problemas físicos e mentais profundos, incluindo delírio, amnésia, deterioração da função motora e problemas respiratórios potencialmente mortais.
A ketamina não deve ser misturada com álcool. Por vezes é vendida como ecstay.
Tolerância e Dependência
Esta substância cria tolerância. Não produz dependência física mas tem um ligeiro potencial para criar dependência psicológica.
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sexta-feira, setembro 17, 2004

Saber viver com as Alergias

O que é uma alergia?

É uma reacção anormal da pele, olhos ou outra parte do corpo, provocada pelo contacto entre o organismo e uma substância estranha habitualmente inofensiva, chamada alergeno. Esta reacção surge apenas num segundo ou posterior contacto.

Como se manifestam as alergias?

Pode apresentar vários sintomas e sinais, em conjunto ou isolados. Os órgãos mais afectados e so sintomas mais frequentes são:

  • Aparelho digestivo: diarreia, edema da glote;
  • Pele: urticária, eczema;
  • Aparelho respiratório: asma, rinite;
  • Olhos: conjuntivite, eczema nas pálpebras.
Estas reacções podem ir de ligeiras a graves. O caso mais grave é o "choque anafilático", que é uma reacção que envolve todo o organismo, podendo pôr em risco a própria vida.


Quem pode sofrer de alergias?

Todas as pessoas podem sofrer de alergias. No entanto, filhos de pais com alergias têm maior probabilidade para desenvolverem reacções alérgicas.


Quais são os principais alergenos?

  • Ambientais: ácaros, pó de casa, pólen, pêlos de animais, bolores, fumos, gases;
  • Alimentares: proteínas do leite, peixe, marisco, ovo, frutos secos;
  • Medicamentos: penicilina, ácido acetilsalicílico e outros.

Os indivíduos alérgicos podem ainda reagir a alguns estímulos irritantes tais como: poluentes ( fumo do tabaco, poluição atmosférica), mudanças climatéricas, humidade, exposição industrial e ocupacional e medicamentos.


Como tratar as alergias?

Há medicamentos que aliviam os sintomas e podem prevenir o aparecimentos das reacções.
Na pele além do tratamento com medicamentos recomenda-se para o banhos, produtos emolientes e sem sabão, que não sequem a pele, aplicação de cremes e loções após o banho que mantenham a pele hidratada e que aliviem a comichão.
Há ainda um tratamento específico destinado a reduzir a intensidade da reacção alérgica ou anulá-la. este tratamento faz-se com doses pequenas do próprio alergeno e chama-se imunoterapia.


O que podes fazer para prevenir as alergias?

Evitar o contacto com os alergenos.

Em casa:
  • No quarto: não deve ser húmido, mas arejado frequentemente; o chão deve ser fácil de lavar e não deve ter tapetes ou alcatifas que acumulam pó e ácaros; o colchão deve ser aspirado regularmente; preferir cobertores e edredons sintéticos; utilizar coberturas antiácaros; lavar regularmente e a altas temperaturas (+ de 55ºC.) a roupa da cama; não fumar;

  • No resto da casa: aspirar com frequência e mantê-la isenta de pó; não ter animais se lhes for alérgico; as janelas devem ser mantidas fechadas na época da polinização;

Em viagem: se fores alérgico ao pólen mantém as janelas do carro fechadas;
Na alimentação: não ingiras nenhum do alimentos a que és alérgico.

Em relação às crianças:
  • Sempre que possível, nos primeiros seis meses de vida, as crianças devem ser alimentadas com o leite materno;
  • A introdução de novos alimentos deve ser gradual, conforme as instruções do médico;
  • Os alimentos mais alergénicos são: leite de vaca, alguns tipos de carne e peixe, chocolate, citrinos, morangos, frutos secos, etc.

(anf - Associação Nacional das Farmácias)

terça-feira, agosto 31, 2004

Déjà vu?

Déjà vu, a sensação que sempre intrigou o ser humano, que o fez acreditar em vidas passadas ou algo isotérico.
Esta sensação é conhecida por criar um estado de vivência repetida no indivíduo, a viver algo que já tinha vivido, a ver algo que já tinha visto, a dizer algo que já tinha dito exactamente nas mesmas circunstâncias às mesmas pessoas. É normal que esta sensação intrigue, e mesmo apavore, o ser humano mas graças à investigação neurológica já se sabe algo mais acerca desta sensação, sensação que afinal pode não passar de falhas corticais de processamento de informação.

Arthur Funkhouser de maneira a delinear esta sensação e permitir um estudo mais aprofundado dividiu-a em 3 categorias: déjà vecu (já experimentado), déjà senti (já sentido), e déjà visité (já visitado).

Déjà vecu é a sensação mais regularmente sentida e envolve viver um acontecimento e sentir que ele já tinha sido vivido, usando para tal todos os sentidos: visão, tacto, olfacto, gosto e audição, e há ainda a sensação de que se sabe o que irá exactamente acontecer de seguida.
Déjà senti não envolve qualquer premonição e o episódio dissipa-se rapidamente da memória, esta sensação encontra-se fortemente relacionada com a captura parcial de experiências de pacientes que sofrem de epilepsia do lobo temporal.
Déjà visité trata-se uma situação mais rara na qual um indivíduo visita um local completamente novo para si e sente que lhe é familiar. Encontra-se mais associado a dimensões espaciais enquanto que o déjà vecu é associado com situações e processos.

Mas aquilo que as pessoas devem perguntar é: Mas como é que acontece isto? São sinais de alguma vida passada?
A resposta é ainda incompleta mas já se possui muita informação. Quanto a uma vida passada duvido que os neurónios sejam hábeis nas viagens temporais, e se conseguissem interligar exactamente da mesma forma que se encontram no indivíduo actual, por isso e por toda uma panóplia de questões científicas a vida passada está posta de parte. Vamos analisar as várias teorias:

O neuropsiquiatra Pierre Gloor ao conduzir experiências de memória defendeu a teoria do "processamento duplo" em que a memória se suportava em dois sistemas: o de familiaridade e o de recuperação, tendo especulado num artigo de 1997 que o déjà vu ocorre nos raros momentos em que o sistema de familiaridade é activado mas o de recuperação não. Outros estudiosos argumentam que o sistema de recuperação não é desligado completamente mas possui falhas de sincronização.

Investigadores descobriram que a sensação de déjà vu pode ser desencadeada manualmente ao se estimular electricamente regiões específicas do cérebro. Josef Spatt, através do seu trabalho com epilépticos argumentou que as sensações de déjà vu são causadas por breves e inapropriados estímulos no córtex parahipocampal, córtex este associado com a habilidade de detectar familiaridade.

Outra das teorias estudadas e cientificamente testada consiste em defender que basta um elemento isolado para despoletar sensações de déjà vu, ou seja, um elemento relativamente conhecido, quer seja num filme, revista, fotografia ou mesmo já visto, pode provocar a recuperação de outras memórias que o indivíduo já tinha adquirido mas que ao não ter consciência do facto se torna em déjà vu já que o elemento e a memória não lhe são estranhas.

Alguma bibliografia:

segunda-feira, agosto 30, 2004

Ciclo Menstrual

Na sequência do post anterior e de modo a evitar que seja necessário recorrer-se a este tipo de contraceptivos existem vários metódos que retiram o grande risco de se engravidar ou contrair DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), mas além desses métodos é necessário antes de mais conhecer-se o sistema em que estes actuam e também conhecer o corpo, neste caso o corpo feminino, que quando bem controlado é possível evitar-se alguns dissabores, apesar das irregularidades inerentes.

Ciclo Menstrual

No início do ciclo (Dia 1) a glândula pituitária secreta FHS ( follicule stimulating hormone - Hormona folicular estimuladora) que causa o aparecimento de um folículo imaturo nos ovários
A FHS continua a exprimir-se e a permitir o desenvolvimento do folículo, até que a um certo momento (por volta do 6º dia) o próprio folículo começa a secretar estradiol que possui dois grandes efeitos:
  • Estimula o crescimento das paredes interiores do útero.
  • Estimula receptores na glândula pituitária.

Assim que um nível suficiente de estradiol é alcançado, a glândula pituitária é estimulada a libertar LH (luteinizing hormone). Esta hormona irá causar a ocorrência da ovulação (Dia 9).

A ovulação ocorre e a LH provoca a libertação do óvulo que se dirigirá para as trompas de falópio. A partir desde momento, se o esperma se encontrar com o óvulo a mulher terá a probabilidade de ficar grávida (Dia 12).

A LH continua a sua influência e o folículo agora vazio transforma-se em corpus luteum que começa a secretar estradiol e progesterona, substâncias estas que serão importantes na formação do útero para a sua nova tarefa: a construção de condições para receber o óvulo, aumentando o volume das paredes e formando uma textura adequada para a recepção e captagem do óvulo, que poderá já estar fecundado ou fecundado durante este processo de captagem.

Se não ocorrer fecundação os níveis de progesterona começarão a decrescer e os vasos sanguíneos das paredes do útero começaram a contrair-se dando início à menstruação (dia 26 em média). Finalizado isto o ciclo tem o seu fim e está pronto a começar-se outro.

A linha verde representa a fertilidade da mulher.

Artigo baseado em: Carlson. Neil R., NeuroScience Animations For Foundations of Physiological, Fifth Edition